Show de Marcos Valle em Montreal vira disco

O show que o compositor Marcos Valle e oguitarrista Victor Biglione fizeram em abril de 2000, emMontreal, para comemorar os 500 anos do Descobrimento, chega emdisco ao Brasil. No encontro, em que os dois se acompanharam demúsicos canadenses, Valle revisita seu repertório de clássicos,que não gravava desde os anos 60 e 70, mas que começaram a fazersucesso entre o público antenado da Europa e do Japão.Por isso, Live in Montreal sai aqui pela Rob Digital,precedido do lançamento no exterior. Hoje, eles autografam odisco numa livraria de Ipanema e amanhã e sexta-feira fazemshow no Bar do Tom, com músicos brasileiros no lugar dosestrangeiros.Os dois se conhecem há muitas décadas, quando oadolescente Biglione começava a tocar violão e Valle eraconsagrado bossa-novista. Só no ano passado começaram a tocarjuntos, quase informalmente, em fins de semana que passavam emMauá, na serra fluminense. "Quando me convidaram para Montreal,onde vou há muitos anos para festivais, chamei o Marcos, porquehá um ótimo público para música brasileira lá", conta Biglione."O show foi legal porque os canadenses conheceram ascomposições e também o virtuosismo de dois músicosbrasileiros."Valle conta que o concerto foi gravado sem intenção devirar disco, mas acabou sendo convencido por Biglione. "Osmúsicos canadenses, especialmente o saxofonista Jean PierreZanella, deram conta do recado, trazendo um sotaque diferentepara a minha música e às de outros compositores", explica. "Otrabalho aqui foi só aumentar o brilho e aprimorar os timbresdos instrumentos, quase não houve o que corrigir. Foi bom tambémregravar algumas músicas antigas, que venho tocando em shows,mas não registro há muito tempo. Nos últimos anos, quase sótenho tocado composições novas."Os grandes hits de Marcos Valle, como Preciso Aprendera Ser Só, Samba de Verão, Terra de Ninguém, ViolaEnluarada, Mustang Cor de Sangue, Gente e OsGrilos, estão no disco em arranjos que soam bem maisinternacionais que os originais. "Não gosto de tocar a minhamúsica do jeito antigo, porque fica monótono. Além disso, estousempre aberto a novidades", confessa Valle. E Biglioneacrescenta: "É importante que ele regrave esses standards,porque todo mundo os conhece, mas muita gente nem sabe que sãode Marcos e Paulo Sérgio Valle. São músicas que fazem parte danossa história."Nessa linha, Biglione incluiu também no show e no discoclássicos como Manhã de Carnaval (de Luiz Bonfá e AntônioMaria), Frevo (de Egberto Gismonti) e Fé Cega, FacaAmolada (de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), que haviagravado anteriormente, e What Are You (de Michel Legrand). "Foi legal fazê-las junto com o Marcos Valle e também usar o violão de aço para voltar à forma brasileira de tocar, na tradição de Dilermando Reis e Garoto", conta Biglione. "Depois da bossa nova, quando os violonistasaderiram às cordas de náilon, essa sonoridade ficou um poucoesquecida."O show seguirá o mesmo esquema do discoe terá a participação da cantora Patrícia Alvi, da banda deMarcos Valle, que tem a tarefa de substituir cantoresfundamentais das gravações originais. É ela que terça vozes emTerra de Ninguém (no lugar de Elis Regina) e ViolaEnluarada (em vez de Milton Nascimento) e se sai a contento.Biglione está tão entusiasmado que quer sair pelo Brasilfazendo shows de lançamento, mas Valle vai depender de suaagenda de concertos para promover Scape, seu disco com músicasinéditas, lançado pela Trama. "Uma coisa vai ficar nadependência da outra, porque estou interessado em que o públicoconheça também o que estou fazendo de novo", justifica MarcosValle.

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