Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Show de Jerry Lee Lewis leva rockabillies ao êxtase

Após 16 anos, pioneiro do rock’n’roll volta a São Paulo, toca apenas 40 minutos e sai ovacionado

Jotabê Medeiros, de O Estado de S.Paulo,

19 de setembro de 2009 | 14h31

O veterano pianista, cantor e compositor Jerry Lee Lewis, no limiar dos 74 anos (faz aniversário no dia 29), conseguiu de novo: incendiou mais uma plateia em sua polêmica carreira. Foi ontem à noite, no Credicard Hall, em São Paulo.

Após 16 anos sem se apresentar na cidade, o pioneiro do rock’n’roll (foi um dos originadores do gênero, ao lado de Chuck Berry, Little Richard, Ike Turner e Fats Domino) tocou pouco, cerca de 40 minutos - antes dele, cada um dos quatro integrantes de sua banda cantou uma música. Mas, quando saiu, só faltou ser carregado nos braços pelo público, que abandonou as cadeiras e foi para a beirada do palco ovacionar e aplaudir a grande performance da noite.

A plateia estava encorpada com fãs do rockabilly, com seus topetes, costeletas, coturnos e lenços no bolso traseiro, todos em busca de render homenagem ao avô do gênero, líder inconteste dos rebeldes geracionais. Jerry Lee anda com dificuldade, não tem mais o vigor físico do passado, mas ao piano, as mãos parecem voar, o boogie woogie e o vigor do rock cru e preservado do Sul americano fazem a diferença.

Jerry Lee concentrou seu show no repertório do CD e DVD The Last Man Standing, do ano passado, mas o show atingiu seu ápice quando ele iniciou uma sessão de clássicos, começando com Roll Over Beethoven e detonando com Great Balls of Fire e Whole Lotta Shakin' Goin' On. A banda é tão antiga quando o dono dela. O “caçula” é o baterista Robbie Hall, o único com menos de 60 anos. Os guitarristas são de Memphis, e destaca-se o estilo em rota de extinção de Buck Hutheson e sua guitarra customizada “Buckmaster”, um espetáculo à parte.

No início do show, houve uma briga entre dois senhores da platéia e um rapaz de boina que teimava em ficar de pé dançando perto do palco (o show não era de pista, mas de cadeiras numeradas). Como o rapaz não quis voltar ao seu lugar, foi agredido por um dos dois homens. O início de tumulto só foi contido com a chegada dos seguranças. Houve também empurra-empurra entre os fotógrafos e a segurança - um clima tipicamente Jerry Lee Lewis, um dos mais conhecidos troublemakers do rock ancestral.

Quando tudo terminou, por volta da meia-noite, os fãs ainda fizeram fila no hall do Credicard Hall para tirar fotos ao lado de um painel com a fotografia de Jerry Lee e um piano em chamas.  Muito justo: Jerry Lee é de fato “o último homem dos primórdios do rock’n’roll em pé”, e sua presença, embora seja a de um ancião, parece lembrar que ali naquele sujeito ainda pulsa aquela coisa selvagem que fez a sua fama.

 

O dado constrangedor foi o show de abertura de Edinho Santa Cruz e banda. Edinho é um digno animador de bailes, mas não tem cacife para abrir um show de Jerry Lee Lewis. Deve ter pagado para tocar, o que inaugura um gênero no show biz: a empresa que aluga a plateia. Edinho tocou por mais de uma hora, um suplício. Há diversas bandas que tinham mais a ver com a noitada, como os Devotos de Thunderbird ou mesmo os Inocentes.

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