Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Show de Gilberto Gil em Israel é cancelado por motivos políticos

'O sentimento geral de todos é o de apreensão, porque Israel está atravessando um momento delicado', expressou a produtora musical responsável pela apresentação

EFE

22 Maio 2018 | 13h30

JERUSALÉM — O cantor Gilberto Gil cancelou um show que iria realizar em 4 de julho em Israel ao considerar que o país atravessa "um momento delicado", após as dezenas de mortes nos protestos ocorridos na fronteira com Gaza durante as últimas semanas.

"O sentimento geral de todos é o de apreensão, porque Israel está atravessando um momento delicado", expressou em um e-mail, em nome da banda, a produtora musical Arbel, encarregada de organizar o concerto e que anunciou que devolverá o dinheiro para os que já pagaram pelas entradas.

"Esperamos a compreensão, já que este assunto também é delicado para nós. Amamos Israel e sempre nos sentimos muito amparados. Sem dúvida, haverá outras oportunidades e esperamos por tempos melhores", acrescenta a breve mensagem.

Além do artista baiano, conhecido pelo seu caráter ativista, outras personalidades do mundo da cultura manifestaram recentemente a rejeição a Israel pela ocupação dos territórios palestinos, alguns deles após a chamada para o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

Um dos mais famosos foi o caso da atriz americana Natalie Portman, que recusou em abril receber o prestigiado prêmio Gêneses, que é entregue no mês que vem, porque "os recentes fatos" produziram "grande angústia" e não poderia visitar o país "com a consciência tranquila".

O dramaturgo português Tiago Rodrigues também disse nesta semana que não participará de um festival em Jerusalém, ao qual tinha confirmado sua assistência, porque adere ao boicote cultural ao país.

Paul McCartney, agraciado com o prêmio Wolf de Música, também disse recentemente que não o recolherá no dia 31, mas se referiu a problemas de agenda e, segundo as normas do prêmio, poderá recebê-lo se comparecer nas duas próximas convocações.

Em 2015, Gil atuou em Tel Aviv acompanhado de Caetano Veloso e ambos foram alvo do movimento BDS. Durante a viagem, visitaram com ONGs locais os territórios palestinos e Veloso anunciou após retornar ao seu país que não voltaria a tocar lá, diferentemente de Gil. 

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