Show da posse de Lula reúne 200 mil

Os artistas alinhados da nova era Lula tomaram os três palcos da Esplanada dos Ministérios, na festa da posse. "Que São Jorge abençoe Luiz Inácio Lula da Silva", disse Fernanda Abreu, antes de cantar Jorge da Capadócia, de Jorge Benjor. "A esperança venceu o medo", proclamou Neguinho da Beija-flor. "Essa esperança vai vingar e vai se tornar realidade", disse Zezé di Camargo, adepto de primeiro palanque do presidente. A platéia, estimada em 200 mil pessoas, suplantava com folga os maiores espetáculos do Rock in Rio, por exemplo, o grande festival globalizado do país. Perpassada por uma diversidade programada - baterias de escola de samba, blocos de maracatu, Filhos de Gandhi, o boi de Parintins, um ídolo da MPB universitária (Gilberto Gil), uma dupla sertaneja de TV (Zezé e Luciano), pagodeiros e ritmistas - o roteiro sugeriu pistas sobre a condução cultural do novo período, mas não permitiu conclusões, dada a versatilidade do cardápio. Terá sido sintomático que o verso "aiaiaiaiai este amor é bom demais" (Zezé) tenha tido maior repercussão no público do que "bem que eu me lembro da gente sentado ali na grama do aterro sob o céu" (Gil - Marley)? Não é uma comparação razoável porque o ministro entrou no palco ao meio dia, e fez um pocket show com apenas quatro canções.Zezé di Camargo e Luciano ensaiaram uma super produção, com bailarinas robustas de vestidos abertos nas laterais e coreografias ao estilo Raul Gil. Seu show teve o dobro da duração do de Gil, num dia em que o ministro se mostrava um tanto aperreado. "É pressa" justificou, pouco antes de sair do Academia de Tênis Resort seu hotel em Brasília, para ir ao palco. O xadrez palaciano afetou seu humor antes mesmo da posse.Fernanda Abreu paramentada "com as cores e as armas" de Jorge, mostrou mais desenvoltura do que o ministro. "Quanto mau olhado eu carrego em meu patuá", ela cantava com sua voz estridente e a performance elétrica, e ainda com o "auxílio luxuoso" de Mestre Paulinho, da Beija-flor.Na festa que emoldurou a posse teve de tudo: lama no gramado, chuva para espantar o calor, choro no gargarejo, e coro de multidão para todo mundo. Ausência sentida foi a de Chico Buarque, tão decisivo no horário eleitoral.

Agencia Estado,

01 de janeiro de 2003 | 18h14

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