Show abre Clube do Choro em SP

A partir de outubro, os chorões ganham representação institucional na cidade. A criação do Clube do Choro, anunciada no dia do aniversário de Pixinguinha, 23 de abril, tem abertura oficial nesta quarta-feira, com um grande espetáculo no Teatro São Pedro. O evento terá a presença de cerca de 20 instrumentistas, entre eles Izaías do Bandolim (presidente do clube), Antonio Rago, Carlos Poyares, Eduardo Gudin, Paulinho Nogueira, Yamandú Costa, Miltinho e Proveta.O show é a primeira ação da associação, que pretende, como informa o secretário-geral, José Luiz Herência, promover um espetáculo por mês, em algum teatro da cidade. "Esse é um dos objetivos do Clube, porém, temos interesses amplos de realizar diversas ações, como dar aulas de choro, promover debates sobre cultura popular, registrar o choro paulista em songbooks e, também, lutar pelos interesses dos chorões, por espaço, respeito", afirma ele. "O Clube propõe-se a divulgar o choro da forma mais positiva, sem interesse objetivo no mercado. Também não queremos passar uma imagem equivocada de que estamos resgatando o choro. Como diz o pesquisador José Ramos Tinhorão, o choro é uma linguagem musical semelhante a um rio subterrâneo, que vem à tona em alguns momentos, mas nunca se esgota."As inscrições para o Clube começam no dia 8, quando será reaberta a Rua do Choro, na Praça Júlio Prestes. O local anterior era a Rua General Osório, próximo à praça. Haverá um estande fixo para os interessados e a matrícula custa R$ 10,00. Segundo Herência, aquele que não puder pagar essa taxa por falta de condições financeiras poderá negociar com os representantes do Clube do Choro. A administração da associação é formada neste primeiro momento, até a eleição em abril de 2002, por Izaías do Bandolim (presidente), Baloi (vice-presidente), José Luiz Herência (secretário-geral), Fernando Caran (primeiro secretário) e Mario Bailão (tesoureiro).Herência conta que o Clube de Choro de São Paulo, apoiado pelo Governo do Estado, toma como exemplo duas iniciativas que deram certo: as oficinas de choro, no Rio, que são dadas por Luciana Rabelo e Maurício Carrilho, e o Clube do Choro de Brasília, que tem ligação direta com a Escola de Choro Rafael Rabelo. "Aqui, as nossas oficinas serão dadas pelos integrantes, como Izaías, e convidados, como Laércio de Freitas, que mostrará o choro no piano", explica ele. "Esses dois casos são exemplos de como ter respeito pelo choro, sem necessariamente ter uma visão ingênua, de que o choro é apenas um conjunto regional. É também. Entretanto, é base da composição brasileira. É Hermeto Paschoal, Chico Buarque, Villa-Lobos."A nova sede do Clube do Choro será na Oficina Cultural Oswald de Andrade, que fica na Rua Três Rios, 363, Bom Retiro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3668-6912. Ali será montado um arquivo, repleto de partituras, de fácil acesso ao público. Além de ser um espaço de informações sobre o gênero - a nossa mais importante linguagem musical e instrumental -, o Clube do Choro deve também recuperar as iniciativas de divulgação criadas na sua idéia original, em 1977, quando foi montado pela primeira vez. O produtor musical Helton Altman, que foi o presidente mais engajado do clube, conta que conseguiu colocar o choro em diversos bares da cidade.Serviço - Clube do Choro. Amanhã (19), às 21 horas. R$ 10,00. Teatro São Pedro. Rua Barra Funda, 171, tel. 3667-0499

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