Shlomo Mintz volta a SP para concerto na Hebraica

O violinista russo (naturalizado israelense) Shlomo Mintz pertence a uma geração formada ao redor dos conjuntos da Orquestra Sinfônica de Jerusalém - como Pinchas Zukerman, Daniel Barenboim e Yefim Bronfman. O conjunto foi criado pela Rádio da Palestina em 1936 como um grupo de música de câmara. Após a fundação do Estado de Israel, a orquestra ganhou mais músicos e maior importância na vida cultural do país. À sua frente, já estiveram maestros do porte de Otto Klemperer, Igor Markevitch e Yehudi Menuhin. O reconhecido mérito artístico da sinfônica está na execução de música contemporânea, mas Mintz diz que seu violino não quer ser representativo de nenhum nicho particular da música erudita. Mintz está de volta a São Paulo (esteve aqui em 1998, regendo a Israel Chamber Orchestra) para apresentar-se nesta quinta-feira à noite na Hebraica com a Orquestra Sinfônica Municipal, sob a regência de Isaac Karabtchevsky. A peça-solo é o Concerto para Violino e Orquestra, do romântico alemão Max Bruch (1838-1920). "Tocar o concerto de Max Bruch não tem nenhuma razão especial para mim", diz Mintz, acrescentando que rege orquestras pelo mundo todo e que assume repertórios diversos, sem que isso represente uma escolha em especial. "Os organizadores escolheram essa peça e é um trabalho emocional, que diverte as pessoas", pondera. Mintz vive uma fase militante em sua carreira. Em 1995, gravou o CD The Vivaldi Collection. Atualmente, diz que não pensa mais em gravar por um bom tempo."Decidi não gravar mais para me dedicar ao trabalho de ensino de música e a masterclasses internacionais", disse ele, que encabeça a educação musical de um kibutz em Israel, o Kesher Eilon. "Educação é tudo", afirma Mintz. "Pode fazer a guerra parar e mudar a cabeça das pessoas para o futuro, desenvolvendo talento e sensibilidade", pondera. "Hoje, muitas platéias não podem entender a música erudita ou porque não foram apresentadas a ela ou porque foram apresentados apenas a uma tradição muito velha", afirma.Shlomo Mintz chegou a Israel com a família aos 2 anos. Estreou como solista aos 11 anos, em Tel-Aviv, com a Filarmônica de Isarel. Aos 16, já tocava no Carnegie Hall de Nova York. Fez seus estudos de violino com Ilona Feher (em Israel) e com Dorothy Delay e Isaac Stern (em Nova York). Em 1989, assumiu o cargo de diretor artístico de Orquestra de Câmara de Israel, conjunto com o qual gravou todos os concertos de Vivaldi para violino. Em 1998 e 1999, Mintz fez concertos com a Royal Philharmonic de Londres, a Sinfônica de Praga, a Orquestra da RAI em Turim e a Orchestre de la Suisse. Também tem feito recitais com um trio, que inclui o pianista Itamar Golan e o violoncelista Matt Haimovitz. Neste ano, ele atua como regente da Orquestra da Toscana em turnê pela Alemanha, Holanda e Itália. Tem concertos marcados na China, Canadá e Leste Europeu e ainda masterclasses nos Estados Unidos e na França.No concerto, a Orquestra Sinfônica Municipal executa a abertura da ópera La Forza del Destino, de Verdi. Na segunda parte, haverá a execução da abertura de O Guarani, de Carlos Gomes, com participação do Coral Sinfônico Municipal. Mintz diz que tem ouvido falar muito sobre a excelência da Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp), regida por John Neschling, e conta que adoraria ser convidado para tocar com o conjunto.Shlomo Mintz - Participação da Orquestra Sinfônica Municipal sob regência de Isaac Karabitchevsky e Coral Lírico. Quinta, às 21 horas. R$ 40,00. Teatro Arthur Rubinstein. Rua Hungria, 1.000, tel. 818-8888.

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