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Shawn Mendes lança 'Wonder', 4º álbum da carreira, e documentário na Netflix

Novas músicas mostram a descoberta do lado vulnerável do cantor; documentário tem como um dos pontos centrais os bastidores do cancelamento de um show em São Paulo

Carla Menezes, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2020 | 15h33

O cantor canadense Shawn Mendes lançou na madrugada desta sexta-feira, 4, seu quarto álbum de estúdio: Wonder. Nas primeiras horas após a estreia, Wonder já ocupou o primeiro lugar na lista dos mais vendidos do iTunes no Brasil e em dezenas de outros países. O artista, indicado três vezes ao Grammy, entregou 14 músicas que contam uma jornada de autodescoberta - ilustrada também pelo documentário In Wonder, que estreou na Netflix na semana passada. 

A introdução do álbum é formada pela melodia simples de um piano e poucos versos que estabelecem o tom que permeia todo o trabalho. “Você tem um milhão de rostos diferentes, mas eles nunca vão entender”, canta Shawn, referindo-se, talvez, ao público que o observa sob escrutínio desde os 15 anos, quando começou a fazer sucesso com covers no já extinto aplicativo Vine. 

Mas o que fica claro nas letras de Wonder e em todo o documentário é que os últimos dois anos - desde que lançou seu último álbum, Shawn Mendes - é que ele mesmo ainda não entendia quem era e, em certo momento, precisou parar para refletir sobre a própria essência por trás do rosto mundialmente conhecido. O que o álbum revela é que Shawn tem os mesmos questionamentos que qualquer outro garoto de 22 anos, com a enorme diferença de que esse processo de autodescoberta acontece diante dos olhos do mundo inteiro. 

 

Um dos pontos  altos do álbum, Teach Me How to Love tem como base um som tradicional de fanfarra e, apesar de a melodia lembrar os sucessos de artistas como Justin Timberlake, a letra remete a uma das músicas mais famosas de um dos ídolos de Shawn: John Mayer. É difícil não achar que essa é a Your Body is a Wonderland de Shawn. O estilo musical de Mayer, no entanto, fica evidente em Song for No One, em que Mendes canta sobre um amor não-correspondido. 

Mas esta é a única canção do álbum sobre ter um coração partido. A maioria das músicas forma uma declaração de amor para Camila Cabello, com quem ele namora há pelo menos um ano e meio. No documentário, Shawn chega a dizer que todas as músicas que ele já escreveu - mesmo quando não estavam juntos - são sobre ela. Higher, Dream, 305 e Can’t Imagine falam sobre as maravilhas e temores que vêm junto de um relacionamento amoroso. 

Em Monster, segundo single do álbum e parceria com o também canadense Justin Bieber, ele reflete sobre o medo de errar diante dos holofotes: “E se eu pecar? E se eu desmoronar? Então serei o monstro?”. O constante questionamento e a pressão que o cantor coloca sobre si mesmo também são a base do documentário In Wonder.  

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 3, Shawn Mendes e o diretor, Grant Singer, falaram sobre o processo de filmagem do documentário. A primeira cena já mostra o cantor em um dos momentos centrais da produção, o problema vocal que o fez cancelar o segundo show da turnê em São Paulo, em novembro de 2019, minutos antes de os portões do Allianz Parque serem abertos. Os ingressos para o show estavam esgotados.  

“Na primeira vez que vi (as imagens de) São Paulo, percebi quanta pressão coloquei sobre mim mesmo e, naquele momento, eu pensei: ‘cara, você tem que se dar um tempo, você se pressiona demais’. E foi bonito, de certa forma, porque fui capaz de ter esse amor e respeito por mim mesmo que só foi possível através do filme.”  

Documentários musicais costumam ser feitos quando artistas ou bandas já têm uma trajetória de décadas, mas Grant Singer disse que a intenção era “fazer um retrato bonito e honesto de Shawn neste momento da vida dele”. Para o cantor, o documentário não é sobre o sucesso de sua carreira: “Poderia ter sido sobre fama, sobre meu namoro, sobre assuntos que a mídia quer falar. Mas senti que é mais sobre um cara de 20 anos que, por acaso, também é um músico conhecido.” 

Shawn diz que ter 20 anos é um momento precioso na vida de qualquer pessoa. “Não que eu seja mais sábio agora aos 22 (risos), mas quando você está registrando alguém aos 20 anos, se você fizer justiça a isso, pode capturar o nascimento de um adulto, de alguém ainda descobrindo quem é. E acho que foi isso que o Grant fez muito bem no documentário.”  

Quando perguntado sobre como faz para se manter equilibrado em meio aos holofotes, ele diz que tem a ver com o fato de dar entrevistas constantemente desde os 15 anos. “(Os repórteres) sempre perguntam: ‘como você se sente?’, ‘o que você acha disso?’, e você tem duas opções: entrar no modo automático e dar respostas prontas ou, toda vez que alguém fizer essas perguntas, realmente pensar em uma resposta. Isso fez com que eu sempre tivesse um diálogo interno acontecendo.”

Mas ele deixa claro que esse ponto de equilíbrio nem sempre existiu: “Houve momentos na minha vida em que eu estive completamente consumido pelo meu sucesso, por quantos seguidores eu tinha no Instagram, quantas curtidas cada foto estava recebendo, e tudo isso me levou a um momento em que eu me identificava com o meu sucesso antes de me identificar com quem eu sou enquanto pessoa.” 

Para celebrar o lançamento de Wonder, Shawn Mendes fará um show virtual gratuito no próximo domingo, 6.

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