Seu samba mistura rabeca, sanfona e zabumba com tamborim, pandeiro e cuíca

- Desde o primeiro momento, o Mestre Ambrósio diferiu das outras - e já famosas - bandas do chamado movimento mangue beat. Por um motivo simples: enquanto a turma de Chico Science ou do Mundo Livre usava o pop comercial de padrão internacional sobre os ritmos nordestinos, os Ambrósios punham os ritmos nordestinos em primeiro plano e pinçavam, aqui e ali, alguma coisa do pop internacional, para apimentar o trabalho.Em Terceiro Samba, essas breves pitadas são quase inaudíveis. O Mestre Ambrósio tornou-se mais nordestino do primeiro para o segundo CD; e mais, ainda, do segundo para este de agora. Não se transformou, por certo, numa banda de forró - entendida a expressão como definidora do conjunto típico que toca para dançar. Muito embora a música dos Ambrósios possa ser dançada, ela representa um aprofundamento na interpretação - no entendimento, na contextualização - da tradição rítmica (de gênero, de estilo) - de sua tradição de origem.Terceiro Samba tem até samba de verdade, dois deles, com jeito e estrutura assemelhada à do samba carioca, mas tratada, instrumentalmente, de forma muito especial - com uso de rabeca, sanfona e zabumba com tamborim, pandeiro e cuíca. Com esse "desrespeito" ao formato consagrado saem ganhando também os xotes, os baiões, as cirandas, as marchas-rancho. O grupo, fincando os pés no chão do pé-de-serra, canta um Brasil maior, de limites mais amplos do que o das regiões do mapa federativo. Um Brasil mais real, por certo, que se traduz perfeitamente em Povo, do pandeirista e cantor Cassiano: "Força, festa, fonte e fundação:/ Povo é mais que a proa pra nação/ Poder cantar:/ Derrubar portões, ladrões e muros/ Poder dançar: festejar na contramão."

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