Opus Entretenimento
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Setor de cultura e entretenimento pode ter 580 mil demissões com a crise

Estimativa da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) prevê impacto de R$ 90 bilhões na economia nacional com paralisações por conta do novo coronavírus; Associação busca medidas para apoiar o segmento

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2020 | 19h43

Uma pesquisa elaborada pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), entidade que representa produtoras e promotoras no Brasil e tem 200 associados, indica uma estimativa de demissões de 30% dos colaboradores diretos do setor de eventos, cerca de 580 mil pessoas. O impacto estimado na economia nacional com o cancelamento de eventos por causa do crise do novo coronavírus é de R$ 90 bilhões, considerando 60 mil empresas estimadas pela Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC) e pelo Sebrae.

Por indústria nacional do setor, as entidades entendem a cadeia produtiva do setor de eventos, tanto as empresas organizadoras quanto as empresas prestadoras de serviços especializados para eventos.

De acordo com o estudo da ABRAPE, 51,9% dos eventos programados para 2020 foram cancelados, adiados ou estão em situação incerta. Outro dado relevante aponta que 92% das empresas já sentem no bolso o impacto e somam perdas que podem chegar a R$ 290 milhões, considerando-se apenas o universo das empresas associadas, ou cerca de R$ 90 bilhões sobre o mercado nacional.

Os resultados preocupantes inspiraram a entidade a iniciar uma campanha para que as pessoas não solicitem o estorno de pagamentos de ingressos, e sim aguardem novas datas. Segundo a entidade, um plano de ação também está em andamento para sensibilizar o Governo Federal sobre a necessidade de medidas urgentes para evitar o colapso do segmento (veja mais sobre isso abaixo).

Os associados da ABRAPE empregam em torno de de 211 mil profissionais diretos. Cada uma dessas ocupações formais gera outros 32 postos de trabalho indiretos para artistas, freelancers e microempreendedores individuais (MEI). Um ecossistema que, de acordo com os dados da Associação, verá 61% dos produtores sem condições de manter o quadro atual de colaboradores.

“Esse novo cenário, que a cadeia produtiva do setor de entretenimento está experimentando amargamente, é algo sem precedentes", disse, em nota, o presidente da ABRAPE, Doreni Caramori. "Estamos falando de aproximadamente 300 mil eventos que deixarão de acontecer e milhares de empresas que apresentarão prejuízos financeiros.”

Medidas para combater a crise

Uma das pautas mais importantes da ABRAPE para o enfrentamento da crise é a possibilidade de isenção fiscal de impostos a partir da retomada dos trabalhos. “Já está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 676/20, que busca, justamente, alíquota zero para as atividades de aviação, turismo e entretenimento por 12 meses”, explica Caramori. O projeto, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB-PE), prevê a isenção de PIS/Cofins; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto sobre Serviços (ISS).

Além de sensibilizar os consumidores sobre a importância da não devolução dos valores de ingressos comprados, a ABRAPE também trabalha pela regulamentação de regime temporário extraordinário simplificado para a suspensão de trabalho por falta de recursos financeiros (lay off) às empresas que apresentem uma queda de receita igual ou maior do que 30%, explica o comunicado da entidade.

A Associação também está pleiteando carência de 180 dias para os tributos que estão sendo pagos (ou parcelados) oriundos de acordos pregressos. E a criação, junto ao sistema financeiro oficial, de linhas de créditos para concessão de capital de giro, com carências, prazo dilatado e condições subsidiadas, como forma de suprir o fluxo de caixa necessário aos cancelamentos/transferências de eventos.

Diferente de outros mercados atingidos pela crise, a Associação explica que o do entretenimento vive de capital de giro, teve as receitas reduzidas a zero, foi o primeiro a parar de operar e, "certamente", será o último nas prioridades de liberação após a quarentena.

A estagnação do setor, em decorrência das medidas de combate ao novo Coronavírus, também esfriaram muito as perspectivas dos empresários, que apostavam em receitas 6,15% maiores em 2020 do que no ano anterior.

A ABRAPE, entidade criada em 1992, congrega diversas lideranças regionais e nacionais do segmento, e tem no portfólio de associados empresas como a Opus Entretenimento e mega eventos, como o Festival de Verão de Salvador e a Festa do Peão de Boiadeiros de Barretos.

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