Gabriel Ribeiro
Gabriel Ribeiro

Série ‘Minha Canção’ recupera a história do Nirvana para ressaltar a empatia de Kurt Cobain

Programa e podcast de Sarah Oliveira pretende evidenciar o lado humano do cantor e compositor, defensor de bandeiras a frente do seu tempo

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2020 | 20h10

A apresentadora Sarah Oliveira mergulhou – de novo, pois é fã de longa data – na biografia de Kurt Cobain e do Nirvana para produzir novos episódios da série Minha Canção. A sétima temporada estreia nesta sexta-feira, às 17h, na Rádio Eldorado, e depois fica disponível nas plataformas de podcast e no seu canal do YouTube.

“Quando comecei com 20 anos na MTV, havia uma coragem libertadora, a gente achava que podia tudo, fazia campanhas de conscientização, de cidadania, tudo isso reverberava. O Nirvana e a mensagem muito humana do Kurt respingaram muito em mim para fazer esse trabalho. Então, estou triste porque a gente agora está muito retrógrado, é assustador que o rock tenha dado virada política também”, lamenta a apresentadora.

Mas resgatar esse lado humano do cantor e vocalista, morto aos 27 anos em 1994, é o que ela pretende nos dois primeiros capítulos da temporada. “Ele acredita muito mais no lado feminino do ser humano do que no masculino. Ele se colocava e nem todo mundo se lembra disso. Me peguei chorando na pesquisa, pensando em como ele era atual, em como ele faz falta. Um artista que usou sua voz para falar de feminismo, de racismo, da autenticidade da música, tudo isso é superatual.”

Ela lembra o álbum Incesticide (1992), o primeiro lançado após a fama global da banda, em que o encarte traz a mensagem: "Se você é sexista, racista, homofóbico ou basicamente um babaca, não compre esse CD". 

"Muita coisa do Nirvana era bem poético", diz Sarah. "Os depoimentos e letras dele são lindos, e ele inclusive critica bandas que adorava, como o Led Zeppelin e o Aerosmith, pelo conteúdo misógino de algumas canções."

Até hoje, a apresentadora é fã de Dave Grohl — o menino de 21 anos que conquistou um lugar no Nirvana ainda na fase pré-fama. "Tenho amigos muito puristas que falam mal dos Foo Fighters, mas eu acho uma banda deliciosa e o Dave Grohl um super frontman. Um documentário como o Sound City é muito necessário, o cara faz uma homenagem, tem participações históricas. E todos os caras entrevistados ali, como o Paul McCartney, respeitam ele."

O programa tem depoimentos de Zeca Camargo (para quem Kurt Cobain revelou que curtia Mutantes) e de João Gordo, um dos cicerones da banda no Brasil em 1993. "O João conta que o Dave Grohl sempre foi muito fã de Ratos de Porão, então ele foi chamado para o camarim do Nirvana no Hollywood Rock. Depois, numa festa, o João estava dançando Beatles com a Courtney Love e ele conta que o Kurt abraçou ele, animado. O João fala que ele foi muito afetivo."

Outros episódios do programa vão abordar as obras de Itamar Assumpção, Fiona Apple, Tears For Fears, Cartola, Gonzaguinha, Diana Ross e Jorge Ben.

Ouça aqui outros episódios da série Minha Canção:

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