Série "Bahia, Singular e Plural" ganha mais dois discos

Falta de dinheiro quase fez ser cancelado o lançamento dos CDs de números 7 e 8 da coleção Bahia, Singular e Plural, produzido pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), o maior e mais preciso trabalho de documentação da cultura popular já empreendido por iniciativa pública ou privada. Fez-se sentir a importância da coleção, os meios apareceram e a caixinha com os dois novos discos estão à disposição do público.O criador da série é o jornalista Paulo Marconi, então diretor do Irdeb, que pôs em campo o etnomusicólogo Fred Dantas, à frente de equipe de gravação de áudio e vídeo para a imensa tarefa de registrar o que fosse possível de manifestações populares (música em pauta) em todos os municípios baianos. O trabalho teve início em 1997. A equipe percorreu 75 mil quilômetros, gravou 450 horas de imagens e sons e documentou 321 manifestações de 83 municípios, com suas cidades, distritos, vilarejos, envolvendo 7 mil artistas anônimos. Encomendou-se a Caribé o logotipo da série, e ele criou a burrinha estampada aqui ao lado. Foi a última criação do grande artista.Os discos vêm encartados em livretos de 80 páginas, ilustradas com fotos e belíssimos desenhos de Enéas Guerra, além de partituras, letras das músicas e textos, assinados por Fred Dantas, que explicam a manifestação em pauta - origem, desenvolvimento, liturgia (ou dramaturgia), avalia modificações sofridas com o tempo e, eventualmente, acrescenta glossários, para palavras modificas ou outras cantadas na língua de negros e índios.O toré dos índios tuxás, quase na fronteira com Pernambuco, está registrado no CD número 7, assim como a burrinha de Saubara, o Capetinha do Pé-de-Bode, brincadeira com os dedos, de Serrinha, o canto do sisal de Tapera, Monte Santo, o corta-palmas de Itapura e Miguel Calmon, o samba-de-lata de Tijuaçu, as modas do Velho Kaimbé, de Massacara, Euclides da Cunha, a roda da farinhada e pila do café de Itapura, Miguel Camon - cantos de trabalho, cantos religiosos, festas e celebrações. A música em tudo. Ainda neste volume, cantos e depoimentos sobre Lampião (tomados em Queimados) e sobre Antônio Conselheiro (em Canudos, Esplanada, Itapicuru e Monte Santo).O outro CD é dedica às vozes de crianças. "Os registros", diz Fred Dantas, "revelam as crianças cantando sua cultura, nenhuma delas preenchendo o estereótipo da televisão comercial, da criança dirigida, e apontam para uma resistência muito grande da brincadeira infantil." Algumas canções são nacionalmente conhecidas - Alecrim Dourado, Samba Lelê, Na Bahia Tem, Senhor Capitão (Bão Balalão), Quem te Ensinou a Nadar - "...foi, foi, marinheiro, foi os peixinhos do mar", que Milton Nascimento gravou numa adaptação de Tavinho Moura. Traz também o Meu Divino São José que abre a gravação original de Procissão, de Gilberto Gil. A melodia é diferente, quase a mesma letra: "Meu divino São José/ Aqui estou em vossos pés/ Pedindo chuva com abundância/ Meu Jesus de Nazaré."A série Bahia, Singular e Plural dificilmente é encontrada em lojas de discos. Para obter as maravilhas, vá ao site www.irdeb.ba.gov.br ou mande e-mail para irdeb.marketing@bahia.ba.gov.br.

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