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Sergio Mendes: 'É um absurdo e é ridículo. Esse gesto não tinha conotação racista em 1970'

Imagem de pianista de 80 anos ao lado de Harrison Ford não tem a ver com o sinal dos supremacistas brancos do grupo white power

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2021 | 21h22

Não, o pianista Sergio Mendes não está fazendo nenhum sinal do white power, o símbolo do grupo racista branco ligado a ideias supremacistas que veio à tona desde que o assessor especial para assuntos internacionais do governo Bolsonaro, Filipe Martins, foi acusado de fazer o gesto durante uma sessão do Senado Federal. A foto em que Mendes aparece ao lado do ator Harrison Ford (à direita) foi tirada em 1970, pelo menos 30 anos antes do sinal existir e ser associado ao grupo. “Esse e um símbolo usado a partir dos anos 2000”, diz o professor, historiador, antropólogo e analista político Michel Gherman. Ao ver a foto enviada pelo jornal, o próprio Mendes comentou, espantado: “É um absurdo e também ridículo (que façam essa associação). Eu me lembro bem da foto tirada em 1970, e na época esse gesto não tinha nenhuma conotação racista. Isso é bem recente. Era uma brincadeira.”

O próprio Sérgio Mendes publicou a foto em sua página no Facebook em 2015. Ele chamava a atenção para o fato de Harrison Ford ter trabalhado como carpinteiro na construção de seu estúdio. Ford, que já era ator em pequenos papeis, trabalhou como carpinteiro até ficar famoso no papel de Han Solo, em 1977.

O alerta da possibilidade de uma associação indevida do pianista Sergio Mendes com o grupo ilegal com o qual ele não teve nenhuma ligação foi feita ao jornal pelo produtor João Marcello Bôscoli, filho de Elis Regina. Ao enviar a imagem que havia recebido de um amigo preocupado com a ligação que começava ser feita, João enviou a foto ao jornalista. “Era hora de criar uma blindagem contra fake news, um gabinete do bem”, disse João.

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