Sérgio Britto faz shows sem Titãs em SP

Sérgio Britto, o titã que não lança livros, não atua em filmes, não faz pesquisas em arquivos de gravadoras, não grava álbuns infantis e não produz discos dos outros, está em São Paulo em rara aparição para fazer dois shows com o repertório de seu primeiro CD-solo, A Minha Cara. As apresentações serão hoje e amanhã, no Sesc Vila Mariana. O disco foi lançado pela Abril Music em dezembro de 2000. Emplacou bem menos do que Vou Ser Feliz e Já Volto, do amigo Paulo Miklos, mas foi relativamente bem recebido pela crítica. Tecladista e compositor, Britto é apresentado em um texto distribuído à imprensa por seus assessores como "um dos mais criativos criadores de sua geração". Ainda que o exagero seja indiscutível, Britto, a peça mais obscura na espécie de grife de celebridades que o Titãs se tornou, tem seus méritos. Seu disco produzido por Paul Ralphes é, em uma primeira audição, digno. Foi feito rápido, como percebe-se na ausência de convenções e na maior presença de músicas "retas". O show, batizado Carrossel, terá músicas novas como A Minha Cara, Os Olhos do Sol e Carrossel, mas lembrará do que fez para os Titãs, como Homem Primata, Flores e Nem Cinco Minutos Guardados. Epitáfio, música mais recente que também colocará no repertório, pode ser considerada um divisor em sua trajetória, algo que o personalizou ao público de uma forma que nem Homem Primata havia conseguido fazer. Está sendo usada como trilha sonora em uma novela da Globo e, das canções ditas "de trabalho" do álbum, foi a que mais tocou em rádios. Mas há que se dizer que seus versos amargurados, pretensamente poéticos, são o clichê do clichê. A música diz: "Devia ter amado mais / ter chorado mais / ter visto o sol nascer / Devia ter arriscado mais / e até errado mais / ter feito o que eu queria fazer / Queria ter aceitado as pessoas como elas são / Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração". Não se pode chegar ao ponto de considerá-los frutos de plágio, mas até um poema chamado Instantes, creditado falsamente ao escritor argentino Jorge Luís Borges, conseguiu ser mais original com toda a sua carga de breguice. Diz o poema: "Se eu pudesse novamente viver a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.... Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente."Sérgio Britto - Hoje e amanhã, às 21h. Sesc Vila Mariana: Rua Pelotas, 141. Tel: 5080-3000. R$ 15

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