Sepultura lança novo CD com versões

Os fãs do Sepultura podem atéestranhar em saber que o novo CD da banda mineira,Revolusongs, reúne versões para músicas de U2 (Bullet theBlue Sky), Devo (Mongoloid), Public Enemy (Black Steelin the Hour of Chaos), Massive Attack (Angel), Exodus(Piranha), Jane´s Addiction (Mountain Song) e tantosoutros. Isso porque quem acompanha a trajetória do grupo sabeque essas não são exatamente suas referências musicais. Eles estão mais para Black Sabbath, Ratos de Porão,Motorhead, entre outros adeptos do som pesado. Masdespreocupai-vos, caros fãs, pois os rapazes do Sepulturapreservam a mesma sonoridade suja que os tornou famososinternacionalmente, inclusive em faixas mais melódicas, comoAngel. Consciente do possível estranhamento ou questionamentodo público, a banda ensaiou uma espécie de explicação, eminglês, para o conteúdo desse trabalho, na parte interna do CD."Somos uma banda que sempre tocamos covers de grupos quegostamos; nós aprendemos muito com eles e nos divertimos muitofazendo isso. O título Revolusongs não representa versos derevolucionários ou declaração política, mas um grande desafiomusical que nunca tínhamos encarado antes", diz o trechoinicial do texto. Eles enfatizam ainda que fazer esse álbumrepresentou um grande aprendizado. Revolusongs é o primeiro álbum gravado peloSepultura, depois de seu desligamento da gravadora holandesaRoadRunner, com a qual manteve contrato durante anos. O últimoCD que a banda havia lançado foi Nation, em 2001. Emsetembro deste ano, entretanto, a RoadRunner chegou a colocar nomercado o CD ao vivo Under a Pole Grey Sky, gravado em 1996,época em que Max Cavalera ainda estava à frente dos vocais. Vale lembrar que, em 97, Max abandonou, de formatraumática, o Sepultura, alegando, entre outros motivos, o fatode os demais integrantes terem demitido sua mulher, até entãoempresária da banda. Ele fundou o grupo Soulfly, enquanto onorte-americano Derrick Green se tornou vocalista oficial doSepultura. De acordo com o guitarrista da banda, Andreas Kisser,o disco ao vivo estava previsto em contrato com a RoadRunner,nas letras miúdas, mas desaprova o formato. "Não tem nada a vercom a gente, é meio estranho, tem ainda o Max, que saiu demaneira conturbada", diz ele. "Mas é o último material que aRoadRunner tem da gente." Agora, de contratado assinado com outra gravadora, a FNM Andreas Kisser conta que o Sepultura, diante das novaspossibilidades, ficou animado em realizar um CD de covers, emvez de inéditas. Pelo menos, por enquanto. "Em janeiro,entraremos em estúdio para gravar material novo, vão ser 13músicas. Devemos lançar o disco em maio", avisa. Na verdade, este Revolusongs seria um aperitivo paraquem ficou tanto tempo esperando uma novidade da banda. É comouma volta às raízes, um revival dos tempos em que o Sepulturafazia covers. E apesar de os grupos escolhidos apresentarem umaatitude musical um tanto quanto destoante da deles, a bandaconseguiu "sepulturizar" as canções, isto é, dar um tom maisheavy metal a elas. "É uma característica nossa, mesmo quequiséssemos não conseguiríamos fugir disso, é a linguagem danossa música", afirma Andreas Kisser. Apesar disso, o guitarrista diz que houve umapreocupação em se respeitar a melodia de algumas canções, comoBullet the Blue Sky, do U2. "O Derrick tem voz para cantar,não só para gritar." Mas o vocalista continua mesmo segurando,e muito bem, as pauleiras sonoras.

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