Semifinais do Prêmio Visa destacam música mineira

Minas Gerais saiu ganhando: dos 12 classificados para a fase semifinal do 3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositores, metade veio de lá. Outros cinco classificados são de São Paulo - da capital e do interior. O Rio ficou representado por apenas um concorrente. O júri, presidido pelo maestro Nelson Ayres e integrado pelos compositores Théo de Barros e Arrigo Barnabé e pela cantora Cida Moreira, chegou aos 12 nomes no fim da noite de terça-feira, quando foi realizada a sexta e última eliminatória. Os quatro candidatos da terça-feira foram o mineiro Flávio Henrique, os paulistas Chico Pinheiro e Teco Seade e a dupla carioca Marcílio Figueiró e Chandra Mani.Os semifinalistas são, por ordem de apresentação: Bartholomeu Mendonça e Zé Beto Corrêa, dupla de Minas Gerais; Lincoln Antônio, de São Paulo; Dante Ozzeti, de São Paulo; Rafael Altério, também de São Paulo, mas do interior; Renato Motha, de Minas Gerais; Felipe Radicetti e Marcelo Biar, do Rio; Simone Guimarães e Cristina Saraiva, dupla inscrita por São Paulo (Simone é paulista de Santa Rosa do Viterbo, mas a letrista Cristina Saraiva é carioca); Clayton Prósperi, de Três Pontas, Minas Gerais; Sérgio Santos, de Belo Horizonte, Minas Gerais; Mário Gil, de Juiz de Fora, Minas Gerais; Flávio Henrique, de Belo Horizonte, Minas Gerais; e Chico Pinheiro, de São Paulo.A hegemonia mineira é também estilística. Alguns autores não-mineiros parecem mineiros. Simone Guimarães, por exemplo. Explica-se: sua cidade natal faz fronteira com Minas Gerais e sua música ecoa aquela que se considera mineira - a confusão chega a ponto de ser Simone, eventualmente, chamada de compositora mineira. A fase semifinal da edição dedicada aos compositores do Prêmio Visa começa a ser apresentada, sempre no Teatro Cultura Artística, às 21 horas, com entrada franca, no dia 29. Serão três apresentações: nos dias 29 e 30 e no dia 5. Dos 12 classificados, 5 serão escolhidos para a grande final, a ser realizada no dia 8 de julho. Eles concorrem a R$ 87.500 em prêmios e o grande vencedor terá o direito de fazer um disco pela Gravadora Eldorado. O concurso é uma produção da Rádio Eldorado, com patrocínio dos cartões Visa. Uma rápida panorâmica sobre os classificados: Bartholomeu Mendonça e Zé Beto Corrêa representam o sotaque mais interiorano de Minas. Trabalham com matéria-prima extraída da música caipira - caipira de fato - e são seresteiros de primeira ordem. O santista Lincoln Antônio faz, ao contrário, música de sotaque basicamente urbano, acidentada, um tanto crua. Radicado na capital do Estado, compõe a trilha sonora possível de sua especificidade.Semelhante à música dele é a do paulistano Dante Ozzeti e diferente deles três é o interiorano Rafael Altério, compositor de melodias derramadas, movido mais pela emoção do que pelo conhecimento técnico de música (que também tem). É, ainda, um cantor extraordinário. Já o mineiro Renato Motha revela muito claramente influência do compositor carioca Guinga, citado em sua composição tanto musicalmente quanto na poesia. Curiosamente a música de Felipe Radicetti e Marcelo Biar não tem cores especialmente cariocas. Eles fazem música urbana de ótima qualidade, mas não são aquilo que se poderia chamar de compositores cariocas - não se aponta aqui uma deficiência, faz-se uma constatação. Em todo caso, a música da paulista Simonte Guimarães e da carioca Cristina Saraiva (elas se inscreveram como dupla) parece, como foi dito antes, mais mineira do que daqui.Muito mineiro, mesmo, é Clayton Prósperi, cujas melodias letras e voz fazem lembrar o Clube da Esquina, especialmente as composições de Beto Guedes e Lô Borges. Já Sérgio Santos tem outras ambições: embora componha lindas toadas, também é um bom autor de samba de sotaque muito carioca - seu cartão de visitas é um desses sambas, Artigo de Luxo. Ao contrário dele, Mário Gil, há muito radicado em São Paulo, trata com solenidade o sotaque das Gerais, como faz também Flávio Henrique, cuja apresentação, temática, homenageou personalidades de sua terra - de Guignard a Drummond. Por ordem de apresentação, o último classificado foi o violonista Chico Pinheiro, que teve, entre outros méritos, o bom gosto de convidar a cantora Luciana Alves para interpretar suas composições.

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