Sem show, Bebel divulga sua "música mexente"

Bebel Gilberto, filha de João Gilberto e Miúcha, veio ao Brasil apenas para divulgar seu CD Tanto Tempo, lançado no País pela Universal Music. Infelizmente, não há muito espaço na agenda da moça para fazer um show por aqui, pelo menos nos próximos quatro meses.Não é por antipatia que ela não fará espetáculos no País. É o que fez questão de ressaltar durante a entrevista coletiva dada anteontem à imprensa. "Não tenho previsão de quando farei show aqui, porque tenho compromissos no Japão, na França e nos EUA. O disco foi lançado muito antes nesses lugares e, naturalmente, segui a programação de primeiro divulgar o disco e depois fazer as apresentações. Fiz isso de forma igual em todos os países. E estou fazendo o mesmo aqui. Gosto das coisas certinhas e daquele ditado de que a pressa é inimiga da perfeição."Mas Bebel não descarta uma possibilidade de retornar ao Brasil profissionalmente. Tudo vai depender de um convite irrecusável. Se isso não ocorrer, vai deixar para o meio do ano de 2001, quando estará menos comprometida internacionalmente. Lugares para um possível show, ainda não tem. "Gosto do Bourbon (Street Music Club), é bem legal", afirma. Indagada se o local não era pequeno, já que está arrebentando no mundo inteiro, ela responde: "Mas acho que já é um bom começo."Bebel diz que não esperava fazer tanto sucesso nos EUA. Lá, foram vendidas 150 mil exemplares de Tanto Tempo. Na Europa, cerca de 50 mil. Aqui e no Japão ela não sabe. Conta que não produziu o CD de forma meticulosa. E, de fato, a sua música tem verdade. Bebel acredita que teve a sorte de "pegar uma carona com as pessoas transadas". Explica: "Essas pessoas são muito ligadas no que é novo e muitas delas, tanto nos EUA e como na Europa, foram me ver. São os formadores de opinião."Tanto Tempo recebeu elogios dos principais jornais e revistas estrangeiros, como Spin, Rolling Stone, Le Monde e The New York Times.Em recente entrevista, Bebel disse que não gosta de conceitualizar sua música. Desta vez, insistiu na idéia de que "artista é artista e, por isso, não tem de se regrar". E comentou: "Olha, o que importa é trabalhar com liberdade, um dia a música eletrônica passa e a onda vai ser outra. Eu não gosto de dizer que faço bossa nova ou sei lá o que, é pretensioso dizer isso. Acho que faço música brasileira moderna." Durante a coletiva, Bebel deixou escapar um outro possível rótulo, por sinal bem bacana: "música mexente." Esclarece: "Não é bem uma música para dançar, é para mexer um pouquinho, sabe." Amanhã(09), ela deve estar sendo entrevistada pela Rolling Stone. Vai longe.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2000 | 18h34

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