APPLE
APPLE

Sem os Beatles, esses discos não existiriam

No dia em que estreia 'Yesterday', filme que parte da premissa em que os ingleses não passaram pela Terra, o 'Estado' lembra de cinco discos da música brasileira que não existiriam, ou não seriam como são, sem o quarteto de Liverpool

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 11h00
Atualizado 29 de agosto de 2019 | 08h51

E se fosse mesmo como mostra o filme Yesterday, que estreia nesta quinta, 29, nos cinemas? Se as luzes do planeta se apagassem por 12 segundos e, de repente, os Beatles nunca tivessem existido? O efeito seria devastador, dizem especialistas. Músicas, discos, álbuns, carreiras, movimentos inteiros nunca teriam existido. Os Beatles, provariam os anos, não foram uma banda, mas o surgimento de um material genético que seria entronizado em muitas das criaturas criativas surgidas depois de 1963. Uns mais, outros menos, o fato é que mesmo aqueles que sobrevivessem à bomba atômica ao contrário, o silêncio, seriam hoje bem diferentes do que são. Mesmo muito da música popular brasileira, sempre tão conservadora e com um certo nacionalismo em sua origem, bebeu na sonoridade e nos conceitos pensados pelos Beatles. Separamos aqui cinco discos que não existiriam na MPB, ou que seriam muito diferentes do que se tornaram, se o filme que estreia hoje nos cinemas fosse real.

 

Jovem Guarda (Roberto Carlos, 1965)

É bom lembrar que a Jovem Guarda teve também o nome de iê iê iê, uma expressão tirada de uma das músicas dos Beatles. A própria cena não existiria, ou não seria nos mesmos moldes, se não fosse a solidificação do som dos anos de 1960 ter saído dos primeiros discos dos ingleses. Jovem Guarda era primeiro um programa apresentado por Roberto, Erasmo e Wanderlea na TV Record. O disco traz como destaque tudo o que soava parecendo Beatles: Quero que Vá Tudo pro Inferno, Lobo Mau, O Feio, Mexerico da Candinha, Pega Ladrão e Não é Papo Pra Mim. 

 

Tropicália (Ou Panis et Circensis) - 1968

Depois de Gilberto Gil pirar ouvindo Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, juntou todo o conceito antropofágico discutido com outras frentes e sentiu o momento. Falou com Caetano sobre a descoberta e nunca escondeu a fonte. Se não fosse o álbum de 1967, jamais esse disco chegaria com a mesma sonoridade. A diferença é que, no Brasil, o conceito virou movimento. Além de Gil e Caetano, colaboraram com as músicas e ou nas gravações Gal Costa, Nara Leão, Mutantes e Tom Zé, acompanhados dos poetas Capinam e Torquato Neto e arranjados pelo maestro Rogério Duprat

A Misteriosa Luta do Reino do Parassempre Contra o Império de Nunca Mais (Ronnie Von) 1969

O Príncipe, como era chamado, realizou um sonho no final dos anos 1960. Lançou não um, mas três discos colados no som psicodélico que os Beatles apresentavam ao mundo. Dos três, esse é considerado sua grande obra. Muita influência do som progressivo e das loucuras dos ingleses são escutadas em faixas como De Como Meu Héroi Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar, Dindi, Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes e Onde Foi (Morning Girl)

,....

Clube da Esquina (Milton Nascimento, Lô Borges e vários outros) - 1972

Eram todos muito jovens e de um talento transbordante. Pela mesma gravadora dos Beatles, a Odeon, eles fizeram juntos um dos discos mais respeitados no mundo. Milton nunca escondeu o quanto bebeu nas águas dos ingleses para criar sua linguagem sem limites, sem demarcações territoriais. Lô Borges, outro fã dos ingleses, iria pelo mesmo caminho. Sem os Beatles, toda a turma de Minas Gerais surgida nesses anos 1970 não seria a mesma. 

 

Acabou Chorare (Novos Baianos) - 1972

Tudo já era possível quando os novos baianos Baby Consuelo, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Galvão, Pepeu Gomes e o pessoal do chamado grupo A Cor do Som seriam mais radicais na ideia lançada pelos Beatles em 1967. Inebriados pelas ideias de João Gilberto, uma espécie de mentor, eles reforçariam o poder que já tinham no samba e no choro eletrificado, com violões, cavaquinhos, bandolins e pandeiros, e colocariam a guitarra de Pepeu. Preta pretinha, Acabou chorare, Besta é tu, Brasil pandeiro. A linguagem proposta pelos Beatles, de quebra de barreiras,  era assumida e apropriada no Brasil para álbuns eternos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.