REUTERS/Kevin Lamarque
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Sem medo de entrar em terreno político, por que motivo Jon Bon Jovi adiou a sua nova gravação

"Abrimos um banco de alimentos de emergência para sete despensas durante o ápice da pandemia. Mas tudo isto não significa que eu não gosto dos republicanos, porque gosto."

Geoff Edgers The Washington Post, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 08h34

Todas as sextas-feiras, o repórter nacional de artes Geoff Edgers apresenta o primeiro Instagram Live do Washington Post do seu celeiro em Massachusetts.

Edgers falou recentemente com o músico Jon Bon Jovi. Abaixo alguns trechos da conversa.

Não vou mentir, o seu cabelo é realmente espetacular, como você deve saber. Tentei imitá-lo hoje, mas acho que não adiantou.

Porque você usou um pente ou uma escova ou tomou uma ducha ou algo parecido,

Tomei uma ducha. Isso mesmo.

Só piora daqui pra frente.

O que eu deveria ter feito?

Pular da cama.

O seu álbum mais recente (lançado no outono passado) continuará sendo intitulado “2020”, mesmo depois de todo este sucesso?

É isso. Adquiriu um significado muito mais profundo quando fomos para o estúdio com o que, olhando retrospectivamente, era apenas a primeira fornada de canções. Mas em março de 2019, quando começamos a gravar, disse aos rapazes: “Gostaria de chamar o álbum ‘Bon Jovi 2020” por duas razões. Uma porque acho que, neste momento, tenho uma visão clara do que quero que a banda seja e o som também. A outra, ficou simpático ter um adesivo de campanha. Vai vender um monte de camisetas. Mas então adquiriu um sentido diferente à medida que o ano foi passando, e inclusive quando entreguei a gravação, os acontecimentos deste ano me levaram a adiar o lançamento, e no final a escrever mais umas duas canções e arrumar as que eram pertinentes. Era uma cápsula do tempo e eu era testemunha da história.

“Do What You Can” e “American Reckoning”, que você escreveu depois da morte de George Floyd, são as músicas fundamentais do álbum. E não existiam antes.

Sim. É verdade; agradeço por você ter notado. Isto fez com que o trabalho adquirisse um foco ainda mais profundo, daí o  título ter mais sentido. E para eu não pensar mais nele como um adesivo, mas como um momento no tempo em que, como eu disse, fui testemunha da história.

Há uma foto sua na sua página do Instagram apoiando Joe Biden. Alguns dos comentários diziam: “Eu era um fã até você apoiar um socialista”. “Você sabe que alguns dos seus maiores fãs são republicanos”. Como foi que aconteceu isto; você se preocupou em separar a carreira das suas crenças políticas pessoais?

Claro. Vou lhe dar um pouco de retrospecto, voltando a 1992, quando Bill Clinton me pediu para fazer coisas com ele e para ele. Na época não me envolvi porque achei que ainda não estava pronto para isso. Mas em 96, eu estava. A nossa Fundação, a JBJ Soul Foundation, atua há cerca de 15 anos. Construí casas de uma costa à outra, quase mil unidades de habitações acessíveis. Tenho três restaurantes comunitários. Abrimos um banco de alimentos de emergência para sete despensas por quatro meses durante o ápice da pandemia no lado leste de Long Island. O presidente Obama me nomeou para o seu Conselho de Soluções Comunitárias. Trabalhei muito com eles, também. Fiz muita campanha com Al Gore. Mas tudo isto não significa que eu não gosto dos republicanos, porque gosto. Ao longo dos anos fiquei amigo de vários deles. Chris Christie e eu nos tornamos bons amigos há bastante tempo em Nova Jersey. Só procuro ajudar as pessoas.

Então você não está preocupado com a possibilidade de afastar os fãs?

Quando estou no palco, nunca falo em política. Nunca usaria isto como um palanque. Se na vida privada estou fazendo campanha para um candidato ou trabalhando em uma das nossas cozinhas ou erguendo moradias para os necessitados, é porque eu sou assim. Por isso, mais uma vez, este negócio de celebridade que as pessoas confundem, e não é uma posição que todo mundo é obrigado a tomar, é que se você escolhe ser autêntico com o que  você é, então deve ser autêntico com você mesmo 24 horas por dia. Repito, é por isso que não me encontrei com você hoje com os cabelos descoloridos como em 1987. É isto que eu sou, um homem de 58 anos. Isto é o que eu fiz. As pessoas me acompanharam na jornada. Algumas saíram, outras seguiram em frente. Se um fã quer deixar de me seguir porque fiz uma gravação tópica, não uma gravação política, peço desculpas, mas está tudo bem. Não faço música para agradar.

As pessoas que conhecem Bon Jovi sabem que Richie Sambora e você eram irmãos, irmãos na música. Mas ele deixou a banda. O que você pode dizer a respeito?

Ninguém amava aquele cara mais do que eu. Mas estar em uma banda de rock não é uma sentença para toda a vida, e ele tinha algumas questões, e, infelizmente, preferiu tomar uma decisão  baseado naquilo em que estava envolvido. Foi muito doloroso, doloroso para mim, doloroso para a banda, doloroso para os shows que fizemos desde o dia em que ele partiu e depois em uns dois álbuns seguintes. Mas não é uma sentença para toda a vida, e assim eu tive de me conformar. A banda tinha de seguir em frente. Eu escrevo canções. Fim do capítulo. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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