Marc Andrew Deley/Invision/AP
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'Sem fãs, nunca existiria música ao vivo', diz Paul McCartney contra política de vouchers italianos

Governo da Itália autorizou organizadores a emitirem bônus para o público usar em eventos, ao invés de reembolsar os clientes

Ansa, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 10h50

O músico Paul McCartney criticou o governo da Itália pela aprovação de uma lei que permite a distribuição de vouchers para pessoas que compraram ingressos para shows cancelados em função da pandemia do novo coronavírus.

O chamado "Decreto Cura Itália" autoriza organizadores de espetáculos a emitirem bônus para o público usar em outros eventos, ao invés de reembolsar os clientes pelos shows anulados.

"É verdadeiramente escandaloso que aqueles que compraram ingresso para um show não possam reaver seu dinheiro. Sem fãs, não existiria música ao vivo. Estamos fortemente em desacordo com aquilo que o governo italiano e a Assomusica [associação de produtores] fizeram", escreveu McCartney no Facebook.

Segundo o astro, em todos os outros países que tiveram shows cancelados os clientes puderam obter reembolsos completos. "O organizador italiano de nossos espetáculos e os legisladores italianos devem fazer a coisa certa neste caso", acrescentou.

McCartney faria uma turnê na Itália em junho, mas os shows foram cancelados em função da pandemia. Carlo Rienzi, presidente da Codacons, entidade italiana de defesa do consumidor, elogiou o posicionamento do ex-Beatle e disse que obrigar os clientes a aceitarem vouchers para shows diferentes dos adquiridos é, "para todos os efeitos, uma fraude legalizada pelos procedimentos do governo".

Já a produtora D'Alessandro e Galli, organizadora dos shows de McCartney na Itália, afirmou, por meio de uma nota, que compreende a "amargura do artista", mas acrescentou que a equipe do britânico já estava ciente "desta fórmula de reembolso" desde antes do anúncio do cancelamento.

"Como se sabe, [essa medida] foi instituída pelo governo italiano para fazer frente a uma crise sem precedentes que arriscava dar um golpe fatal na indústria da música ao vivo e nos seus cerca de 400 mil trabalhadores", diz o comunicado.

A Assomusica, por sua vez, declarou que foi McCartney quem cancelou o show, "sabendo da situação da Itália e quais seriam as consequências de sua decisão de não reprogramar as datas no país". "Não aceito lições dele", acrescentou o presidente da entidade, Vincenzo Spera.

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