MARCO ANDRE PINTO/DIVULGAÇÃO
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Sem Dona Ivone Lara, o samba não seria o mesmo

Além de ter sido a maior autora da música brasileira em quantidade de sucessos e regravações, foi Dona Ivone quem colocou a mulher em condição de igualdade na linha de produção do gênero mais poderoso do País

Julio Maria, O Estado S.Paulo

17 Abril 2018 | 20h45

Se não fosse Dona Ivone Lara, o samba não seria o mesmo. A frase não é de efeito, mas de fato, e essa conversa precisa começar por uma constatação: nenhuma outra mulher no País compôs tantas músicas que fariam tamanho sucesso com a mesma proeza.

Se não fosse Dona Ivone Lara, as mulheres do samba estariam renegadas à condição de personagens secundários, como as baianas das agremiações ou os seres mitológicos de dois metros dos sambódromos. Ao impor um pensamento de composição absolutamente original, sedimentando parcerias consagradoras como a que fez com Délcio Carvalho e fazendo girar toda uma economia paralela com canetadas como Mas Quem Disse Que Eu te Esqueço, Sonho Meu, Sorriso Negro ou Enredo do Meu Samba, ela se tornou necessária ao próprio show biz, hasteando bandeiras onde sambista algum havia pisado.

Se não fosse Dona Ivone, as donas estariam ainda em casa. Foi a força de sua presença que transformou o ‘dona’ em pronome de tratamento real. No samba, depois de Ivone, Donas, assim como as Tias, se tornaram mulheres fortes a quem se deve reverenciar.

Se não fosse Dona Ivone, o samba não seria o mesmo. Siga esta noite para uma roda de partido e observe o momento em que o grupo tocará seus sambas. Eles não serão desperdiçados nem no início frio nem na embriaguez das despedidas. Dona Ivone será guardada para fazer acontecer a magia, quando a roda se abrir, as donas virarem rainhas e o samba passar a ser o melhor lugar do mundo para se estar naquela noite.

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