Selos e gravadoras independentes criam associação

Um novo e importante passo foi dado na terça-feira, durante o Encontro sobre Produção Fonográfica Independente - um dos eventos realizados pelo projeto de mapeamento artístico Rumos Itaú Cultural Música -, a criação da Associação Brasileira da Música Independente (ABMI). A iniciativa foi dada no primeiro debate, o encontro das gravadoras, que chamou a atenção de cerca de 30 representantes desse universo musical interessados especialmente numa questão: a música independente precisa ter uma representação sólida, que lhe permita enfrentar grandes impasses, como distribuição e divulgação, e se impor no mercado fonográfico. Formalmente, a primeira reunião ocorreu ontem, para o início da elaboração do estatuto da ABMI, também no Itaú Cultural. Como informa um dos integrantes da associação, Thomas Roth (dono do selo Lua Discos, que ainda neste semestre lança CDs de Guilherme de Brito, Casquinha e Jards Macalé), o ponto de partida foi o texto da Associação da Música Independente (AMI) - uma tentativa de criação da associação há dois anos e que não saiu do papel. "Estamos num processo embrionário. Mas, tomando como base esse estatuto, que já fornecia regras concretas, evitamos a dispersão inicial", explica Roth. De fato, ainda há muito que acertar sobre essa questão, entretanto, já se observa que a criação da ABMI não deve ficar restrita a reuniões e debates. Tanto que todas as ações para a formulação do estatuto e definição de uma comissão responsável pela estruturação da ABMI foram tomadas sistematicamente e devem se resolver nas próximas semanas. "Hoje, a música independente, que representa em torno de 50% da produção fonográfica nacional, não tem mais aquele caráter de improviso, artesanal. Boas produções são realizadas, além do que, o grosso da fomentação cultural é feita por nós. Ainda assim, para que de fato sejamos bem representados, uma organização consistente tem de existir e englobar todo o universo da música independente." Neste primeiro momento, a base da ABMI é formada por selos e gravadoras. A próxima etapa, quando regulamentos e comissão estiverem definidos, outras categorias deverão ser agregadas, como artistas independentes. O porta-voz da iniciativa é o pianista e coordenador-geral do projeto Rumos Itáu Cultural Música, Benjamim Taubkin. Espera-se que ocorra, de forma ligeira, consensual e enérgica como foi a criação da ABMI, a divulgação dos 78 trabalhos selecionados pela investigação musical proposta pelo Rumos. De sexta a domingo, inicia-se uma série de espetáculos com dez nomes desse mapeamento artístico, de tendências variadas. São praticamente anônimos, porém, com criações acima da média.

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