Selo Matador Records chega ao País

Adoradores de música independente (seja lá o que o termo possa significar a essa altura do campeonato) acometidos por problemas financeiros, alegrai-vos. Está prevista para o fim do mês a chegada ao Brasil da nova leva de CDs do selo norte-americano Matador Records. E o melhor, com preços em reais bem menos salgados que os pares importados. Como todo mundo já sabe, a gravadora Trama tem os direitos de representação de um dos selos mais bacanas dos anos 90 - só para ter uma idéia, o Matador Records revelou de Red Snapper a Jon Spencer Blues Explosion.Durante o primeiro semestre, a gravadora brasileira lançou álbuns dos grupos Pavement, Yo La Tengo, Cornelius, Solex entre outros. "O pessoal da Matador ficou surpreso com as vendagens do disco Terror Twilight, do Pavement", diz o diretor-artístico internacional da Trama, Kid Vinil. Segundo ele, o álbum do Pavement chegou à marca de 5 mil unidades vendidas. A surpresa tem fundamento. Afinal, trata-se de um grupo que não toca nas rádios e não está presente na programação normal da MTV Brasil. "Os outros títulos também tiveram uma ótima performance dentro desse mercado restrito", lembra o também apresentador do programa alternativo Lado B, transmitido às quintas-feiras, à meia-noite, na mesma MTV.Grupos como Bardo Pond, Cat Power, Demolition Dolls Rods Pizzicato Five e Console são alguns dos que terão edição brasileira. O destaque do pacote fica para os discos do Guided By Voices, Alien Lanes (1995), Under the Bushes Under the Stars (1996) e Mag Earwhig (1997), e os outros álbuns do Yo La Tengo (que toca no Brasil em setembro), President Yo La Tengo/New Wave Hot Dogs (1989), Eletr-O-Pura (1995), I Can Hear the Heart Beat as One (1997).Há ainda os lançamentos de agosto, dos quais se destacam os títulos Switched On, álbum de 1992 que reúne os três primeiros singles do grupo britânico Stereolab (outra das bandas legais que passam por aqui em agosto) e Days of Our Nights (1999), mais recente disco dos neozelandeses do Luna.Culto - Quando chegar setembro, a conexão com o selo britânico Jeepster colocará no mercado brasileiro um dos maiores objetos de culto da cultura pop nos últimos anos, a banda escocesa Belle & Sebastian. "Um bando de colegiais escoceses que fizeram uma banda que deu muito certo", define Vinil. "Eles não são virtuosos e têm uma maneira espontânea e verdadeira de interpretação; gosto disso".Formada na sala de aula de uma oficina para músicos desempregados em Glasgow, a banda inspirou seu nome num romance infanto-juvenil francês. Nele, a escritora Cécile Aubry narra as aventuras da cadela Belle e de seu dono, um garoto chamado Sébastien. Liderada pelo vocalista e guitarrista Stuart Murdoch, o grupo aposta no folk semi-acústico e nas orquestrações simples mescladas à letras repletas da referências literárias - não raro apresentam um teor melancólico acentuado. Suavidade é a palavra mais óbvia que vem à cabeça.O primeiro disco, Tigermilk (1996), foi gravado em três dias e teve uma tímida prensagem de mil cópias. Era uma espécie de conclusão de curso. Porém, o segundo, If You Felling Sinister (1997) , foi incensado de tal forma por crítica e público que a cotação de Tigermilk foi às alturas. Cópias piratas circularam pelo planeta chegando até a casa das 500 libras. O disco, é claro, foi reeditado no mesmo ano. The Boy with the Arab Strap (1998) deu continuidade a idolatria - os mais empolgados insistem em estabelecer paralelo com a devoção dos fãs ao The Smiths nos anos 80. "Não vejo razão para isso, já que o fenômeno Smiths bateu muito mais pesado na época, são situações totalmente distintas", comenta Vinil, que, à frente do programa de rádio dominical New Beat em 1984, foi o primeiro a tocar as composições da antiga banda de Morrissey no Brasil.O mais recente trabalho da banda escocesa Fold Your Hands Child You Walk Like a Peasant também faz parte do pacote. Basta esperar mais um pouquinho para cultuar.

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