Seis músicas de Belchior transformam missa em celebração 

Corpo do cantor e compositor foi encaminhado para o cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, onde será enterrado 

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 10h27

FORTALEZA - Era uma missa. Tornou-se uma celebração à música do cantor e compositor Belchior. 

Lágrimas escorriam melancólicas, em rostos entristecidos. Passaram a ser contidas por sorrisos largos, que teimavam em sair em um momento de despedida. É o resultado do efeito do cancioneiro de Belchior, de encontrar, mesmo na tristeza mais profunda ou no desalento cotidiano, uma razão para cantar. 

E assim Belchior se despediu. Com as canções dele, a missa de corpo presente celebrada pelo frei Ricardo Regis se transformou. Até então, o silêncio era interrompido apenas por soluções e narizes congestionados - e por um curioso gatinho de cor branco encardido, brincando alheio na esquerda do palco do anfiteatro do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, na manhã desta terça-feira, 2. A missa foi realizada após o velório que reuniu um total de 7.411 pessoas desde às 15h do dia seguinte. 

No palco do anfiteatro do Centro Cultural Dragão do Mar, cinco músicos (um violonista, um violinista, um tecladista e duas cantoras) receberam Belchior com pompa e hinos religiosos. Ao todo, 28 amigos e familiares sentaram ao lado do caixão de Belchior durante a cerimônia iniciada às 7h30. Em cada extremidade do palco, duas moças de roupas mantinham em mãos caixinhas de lenços para os mais chorosos. 

A frieza foi quebrada ao fim da cerimônia de quase uma hora de duração. Com uma banda formada por Ericsson Mendes, Maria Zenaide, Renato Campos Gutemberg Pereira, Eduardo Holanda e Mimi Rocha subiu ao palco para a homenagem. Executaram Na Hora do Almoço, Alucinação, Como Nossos Pais, Palo Seco, Sujeito de Sorte e Galos, Noites e Quintais

O público, que já havia ultrapassado a casa da centena, levantou-se. Desceram as escadarias e se reuniram diante do palco. Ali, bateram palmas, cantaram, celebraram Bel, como o chamavam. Se choravam - e choravam aos litros - era pela despedida de um artista que, mesmo distante há mais de uma década, se fez tão presente com suas canções. 

 

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