Segunda noite do Visa contrapõe estilos e repertórios

Dois violonistas, um da escola gaúcha e outro do interior de São Paulo. Um trio com piano, contrabaixo e bateria. Um pianista solitário e calado de Minas Gerais. A segunda eliminatória do 7.º Prêmio Visa de Música Brasileira Instrumental, anteontem, no Espaço Promon, em São Paulo, contrapôs estilos diferentes e repertórios ousados, que passava do mais reconhecido standard da MPB a composições próprias. Embora sempre se mostre inclinado a torcer pela interpretação mais calorosa, o público parece ter aprovado os quatro concorrentes: o pianista Irio Júnior (de Lavras, MG), o violonista Maurício Marques (de Porto Alegre, RS), o conjunto Triálogo (de São Paulo, SP) e o violonista Alessandro Penezzi (de Piracicaba, SP).O pianista Irio Júnior, um sujeito de poucas palavras, abriu a noite com uma interpretação radical de Bala com Bala, de João Bosco e Aldir Blanc. Propôs praticamente uma desconstrução do samba. Em seguida, como se tivesse prazer especial em inverter as expectativas, tocou Bebe, de Hermeto Pascoal, de um jeito lírico, romântico, jobiniano. Fechou sua apresentação com duas de Pixinguinha: Lamento e A Rosa, ambas impressionistas, irreconhecíveis.Em seguida, entrou o gaúcho de boa prosa Maurício Marques. Tocou quatro gêneros distintos, para ilustrar a própria versatilidade. Descontraído, brincou com o público. "A vantagem de ter um violão com tantas cordas é que a gente toca menos e afina mais." Maurício mudou o próprio programa. Em vez de tocar Rancheirinha (Geraldo Flach), como estava previsto, tocou Sétima do Pontal, de Renato Borghetti, uma música feita originalmente para gaita ponto e que ele adaptou. Tocou também uma composição própria, Chamarreando, uma milonga que ele fundiu com um ritmo uruguaio, a chamarra. Ovacionado, beijou o violão ao final.O Triálogo - a pianista Débora Gurgel, o baixista Itamar Collaço e o baterista Pércio Sapia - ousou mais no repertório, incluindo duas peças próprias, compostas por Débora: Deixa Comigo e Infância. Misturou A Saudade Mata a Gente, de João de Barro e Antonio de Almeida, e Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré. Foi o grupo mais aplaudido da noite. Mas ainda faltava um: o piracicabano Alessandro Penezzi. Que também abriu com Pixinguinha (Vou Vivendo). Mas, quando encarou Desvairada, de Garoto, deixou a platéia estática. Foi o aplauso mais duradouro, mais surpreso. "Estou muito feliz de estar entre os 24 concorrentes", festejou Penezzi, que agradeceu aos amigos que insistiram para que se inscrevesse. Agradecido ficou o público.

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