Wilton Junior/Estadão
Scorpions se apresentam no Palco Mundo do Rock in Rio 2019 Wilton Junior/Estadão

Scorpions entrega a revolução de 'Wind of Change' e cantarola marchinha de carnaval

Veterana alemã não enfrentou problemas depois da maratona Iron Maiden no palco mundo

Leandro Nunes e Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2019 | 03h00

Começar um show às 00h37 e depois de Iron Maiden, nunca será para qualquer um. Mas não se fala em missão nesse caso. Mais que veterana, a banda alemã Scorpions tem idade para se espalhar pela História.

O vocalista Klaus Meine não estava lá quando Scorpions nasceu, e, aos 71 anos é quem começa Going Out With a Gang. É ele também quem fala com a plateia em português. "Boa noite, Rock in Rio. Tudo bem?"

Depois dos muitos versos de The Zoo, eles gastam bons minutos se divertindo, tocando antes do sobrevoo de 70's Medley

Quando chega em We Built This House, ao lado, um casal se beija. "O amor é a cola que nos mantêm juntos."

Da instrumental Delicate Dance, Meine choca um pouquinho sua plateia quando deseja homenagear a cidade que abriga o Rock in Rio chamando a todos para cantar Cidade Maravilhosa. Ele tenta animado repetir a façanha, mas o público cansado nesse horário prefere não reagir à proposta.

É a chance de engatar na balada de Send me an Angel. O resultado foi bom porque veio como recompensa os assovios de Wind of Change. Os versos de "O futuro está no ar, eu posso sentir em todo lugar" caíram com a responsabilidade de uma prece para o Rio de Janeiro.

Com o solo de bateria de Mikkey Dee, o público se espalha um pouco e muita gente consegue acompanhar a apresentação sentada.

O palco às escuras não faz o público se afastar. A banda alemã ainda deve mais dois de seus hits. A penúltima aguardada demora para começar. A banda sai e volta ao palco com Still Loving You.

Rock You Like a Hurricane ergue o show pela última vez e o vocalista se despede pronto para mais uns anos de história.

Quinto dia

Sepultura abriu o Palco Mundo com tudo. Em sua nona participação no festival, entre edições brasileiras e estrangeiras, a banda mineira encerrou um ciclo e deu partida para outro, que começa com um novo disco prometido para fevereiro de 2020. Isolation, a faixa título do álbum, foi executada pela primeira vez aqui – e trechos da apresentação serão usados no clipe da canção.

O show encerrou a turnê de Machine Messiah, que havia começado no Palco Sunset do Rock in Rio 2017. “Com todo o respeito aos outros dias do festival, esse é o melhor, porque o metal é foda!”, diz Andreas Kisser depois de performances explosivas de Arise (1991), Territory (1993) e Phantom Self (2017). Choke e Attitude deram partida com instrumentos de percussão tipicamente brasileiros, como o berimbau, uma forma definidora do DNA do Sepultura.

Segundo do line-up no palco principal do Rock in Rio, Helloween é conhecido e querido pelos fãs brasileiros. A banda alemã já tocou em terras tupiniquins mais de 10 vezes e, segundo o YouTube, o Brasil lidera presença no consumo de músicas do grupo. Só perde para a Indonésia

Helloween tocou menorzinha no Palco Sunset 2013 e agora voltou com o mesmo encantamento. A diferença é que não tinham o álbum de 2015. Com I am Alive, os vocalistas Michael Kiske e Andi Deris não perdem tempo. Cumprimentam a plateia e relembram da primeira vez no Rock in Rio. "É bom estar de voltaaaaa". 

Com entusiasmo e sem tempo a perder, a banda cantou os Direitos Humanos em How Many Tears. "Afaste essa praga de ódio. Levante sua voz. Nao é tarde", diz o verso. Em I Want Out, Helloween confirma sua rebeldia no desejo de fazer as coisas por conta própria e pelo direito de ser. "To live My Live and To be Free.

O Palco Sunset ficou pequeno para o Slayer. A banda tocou os últimos acordes de sua história no Brasil na noite desta sexta-feira, 4. Pelo menos é o que a banda de Tom Araya prometeu em janeiro de 2018, quando lançaram a turnê que agora fez sua última apresentação no País: seria a última.

O palco era decorado com bandeiras gigantes que cobriam toda a extensão da parede atrás da banda, e caíam entre algumas músicas, com estampas de caveiras, espadas, raios e trovões, referências aos temas caros à banda (coisas como morte, suicídio guerra, satanismo, etc) e um show de luzes que botou as outras apresentações de metal do Rock in Rio, até o momento, em um patamar inferior. 

Na plateia, rodas enormes se formavam em pontos próximos e distantes do palco. Como num jogo de futebol, um tipo de energia hostil se instalava no ar com sinalizadores e gritos de “ole, ole, ole, Slayer, Slayer”.

Com uma megaprodução adaptada para os maiores palcos da Terra, o Iron Maiden pisou no Palco Mundo  nesta sexta-feira, 4, cercado de expectativas: a turnê Legacy of the Beast é a maior que a banda já fez, segundo os próprios, e as razões ficaram claras durante o show.

Um avião plana pelo palco sobre a banda. Um monstro de três metros de altura sobe ao palco para uma luta corporal com o vocalista. O cenário se transforma em catedral, prisão, cemitério e até no próprio inferno. Uma cruz é empunhada para os céus. Um Ícaro imenso aparece, tentando empenhar sua eterna fuga de Creta.

De fisicalidade ativa e vigorosa, Bruce Dickinson passeou pelo repertório antigo do grupo britânico, mas o destaque do show foi o cenário, digno de produção da Broadway mas numa escala monumental, pensado para plateias imensas. A turnê não divulga nenhum disco, mas sim o videogame no formato mobile de mesmo nome, lançado em 2017.

Mas Dickinson não fez o show sozinho: do movimento de Steve Harris (o único membro fundador da banda) de “atirar na plateia” com seu baixo, à guitarra voadora de Janick Gers, até às formações de ataque em que os quatro membros da cordas se postaram, o engajamento com a plateia foi constante.

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Rock in Rio 2019: Sepultura toca música pela primeira vez e anuncia novo disco

‘Isolation’ deve ser lançado em fevereiro de 2020, segundo anúncio de Andreas Kisser no palco do festival

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2019 | 18h34

RIO - Se depender do ritmo que o Sepultura impôs ao Palco Mundo, no fim da tarde desta sexta-feira, 4, o fã do Rock in Rio presente na Cidade do Rock vai embora hoje com problemas na audição – e com muitos hematomas se quiser se envolver nas rodas que se formam em todos os shows. 

Em sua nona participação no festival, entre edições brasileiras e estrangeiras, a banda mineira encerrou um ciclo e deu partida para outro, que começa com um novo disco prometido para fevereiro de 2020. Isolation, a faixa título do álbum, foi executada pela primeira vez aqui – e trechos da apresentação serão usados no clipe da canção.

O show encerra a turnê de Machine Messiah, que havia começado no Palco Sunset do Rock in Rio 2017. “Com todo o respeito aos outros dias do festival, esse é o melhor, porque o metal é foda!”, diz Andreas Kisser depois de performances explosivas de Arise (1991), Territory (1993) e Phantom Self (2017). Choke e Attitude dão partida com instrumentos de percussão tipicamente brasileiros, como o berimbau, uma forma definidora do DNA do Sepultura.

Sem se comunicar tanto com a plateia, o Sepultura vê as tradicionais rodas se armar à sua frente apenas com a qualidade do heavy metal que a tornou a banda mais internacional do Brasil. Numa mensagem sutil, Andreas Kisser toca Kairos com uma guitarra promocional com as cores do arco-íris LGBT+.

Para aplausos entusiasmados, a banda exibe uma foto de André Mattos no telão, e tocam um trecho de Carry On, um dos clássicos do Angra, de 1993. Mattos morreu em junho, aos 47 anos, por conta de uma parada cardíaca. Refuse/Resist, de melodias e letra destacadas no repertório do show, vem em seguida. 

Angel, de 2003, é um dos raros momentos de “respiro” no show, quando o vocalista Derrick Green usa seu rugido numa letra que mistura a agressividade geral do som do Sepultura com reflexões sombrias sobre um amor esquisito. O baixista Paulo Jr e o baterista Eloy Casagrande completam a escalação – em 2017, o Sepultura convidou ao Sunset a Família Lima, e talvez os arranjos de cordas naquela ocasião tenham trazido uma leveza que agradou mais aos não-fãs do metal. 

Mas em 2019 o Rock in Rio reviveu o “dia do metal” e com sucesso – o público na Cidade do Rock, ocupada por cabeludos e camisetas pretas, já ocupava a maior parte dos espaços disponíveis no Palco Mundo.

Confira fotos do quinto dia do Rock in Rio 2019:

 

Vai curtir o festival lá no Rio? Saiba o que você pode ou não levar e veja também as opções de alimentação que estarão disponíveis na Cidade do Rock. Para quem for assistir de casa, existem também algumas possibilidades. Fique por dentro de toda a programação do Rock in Rio e não perca nenhum show!

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Rock in Rio 2019: Palco Sunset fica pequeno para o Slayer

Se cumprir o prometido, banda fez a última apresentação de sua história no Brasil

Guilherme Sobota , O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2019 | 21h38

RIO - O Slayer tocou os últimos acordes de sua história no Brasil na noite desta sexta-feira, 4, fechando a programação do dia no Palco Sunset do Rock in Rio 2019. Pelo menos é o que a banda de Tom Araya prometeu em janeiro de 2018, quando lançaram a turnê que agora fez sua última apresentação no País: seria a última.

O palco era decorado com bandeiras gigantes que cobriam toda a extensão da parede atrás da banda, e caíam entre algumas músicas, com estampas de caveiras, espadas, raios e trovões, referências aos temas caros à banda (coisas como morte, suicídio guerra, satanismo, etc) e um show de luzes que botou as outras apresentações de metal do Rock in Rio até aqui em um patamar inferior. 

Na plateia, rodas enormes se formavam em pontos próximos e distantes do palco. O Sunset ficou pequeno para o Slayer, que viu o público se apertar à frente do espaço enorme à sua frente (não há caixas avançadas na plateia no Sunset; o Palco Mundo tem três linhas de torres que distribuem o som). Como num jogo de futebol, um tipo de energia hostil se instalava no ar com sinalizadores e gritos de “ole, ole, ole, Slayer, Slayer”.

Formada em 1981 na Califórnia, a banda se consolidou entre público e crítica como uma das quatro do Big 4 do thrash metal, ao lado de Anthrax (também presente neste dia do metal do Rock in Rio), Metallica e Megadeth (as duas últimas em hiato após problemas de saúde de seus vocalistas). Como o Slayer demonstra no palco, tocando com raiva e fazendo muito barulho, o estilo é caracterizado pelo tempo acelerado (algumas músicas chegam a 220 bpm em versões gravadas, talvez ainda mais rápidas ao vivo), e embora a bateria tenha um papel fundamental são as duas guitarras que comandam o show.

Depois de uma apresentação em São Paulo cujos relatos dos fãs nas redes sociais definem como histórica, a banda trouxe ao Rock in Rio todo o seu cenário caprichado e também fez uma homenagem a Jeff Hanneman, guitarrista e fundador morto por decorrência de uma cirrose em 2013.

Por ser um show em festival, a apresentação teve menos canções: 13, contra 19 em São Paulo. Mesmo assim, o fechamento do show, com Black Magic (1991), Dead Skin Mask (1990) e Angel of Death - daquele que acabou sendo o álbum mais elogiado da carreira do Slayer, Reign in Blood (1986) - foi uma celebração do gênero para um público que começou o show ganho. Mesmo antes, porém, muitos fãs já se dirigiam ao Palco Mundo, onde o Iron Maiden faria a principal apresentação da noite. Muitos fãs reclamaram da proximidade de horário entre os dois – uma exigência da banda britânica para tocar mais cedo.

O Slayer é considerada uma das bandas mais influentes de todos os tempos, apesar de o gênero ter perdido espaço entre os anos 1990 e 2000. O último álbum de estúdio, Repentless (2015), porém, foi número 4 da Billboard, a mais alta posição da banda em seu país de origem. O baterista Paul Bostaph e os guitarristas Gary Holt (com uma camiseta escrito “matem as Kardashians) e Kerry King (este outro membro fundador) completam a escalação da banda.

Nunca deixará de ser impressionante como apenas quatro pessoas com instrumentos nas mãos consigam fazer tanto barulho. Bandas desse tamanho costumam mentir sobre pendurar as guitarras, mas se o Slayer cumprir o prometido, essa foi a última vez que o Brasil viu eles fazendo isso.

 

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Rock in Rio 2019: Iron Maiden traz megaprodução à la Broadway para o festival

Aparatos da turnê The Legacy of the Beast transformam apresentação em musical de grande escala

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2019 | 23h42

RIO - Com uma megaprodução adaptada para os maiores palcos da Terra, o Iron Maiden pisou no Palco Mundo do Rock in Rio 2019, nesta sexta-feira, 4, cercado de expectativas: a turnê Legacy of the Beast é a maior que a banda já fez, segundo os próprios, e as razões ficaram claras durante o show.

Um avião plana pelo palco sobre a banda. Um monstro de três metros de altura sobe ao palco para uma luta corporal com o vocalista. O cenário se transforma em catedral, prisão, cemitério e até no próprio inferno. Uma cruz é empunhada para os céus. Um Ícaro imenso aparece, tentando empenhar sua eterna fuga de Creta.

 

 

De fisicalidade ativa e vigorosa, Bruce Dickinson passeou pelo repertório antigo do grupo britânico, mas o destaque do show é o cenário, digno de produção da Broadway mas numa escala monumental, pensado para plateias imensas. A turnê não divulga nenhum disco, mas sim o videogame no formato mobile de mesmo nome, lançado em 2017.

Mas Dickinson não faz o show sozinho: do movimento de Steve Harris (o único membro fundador da banda) de “atirar na plateia” com seu baixo, à guitarra voadora de Janick Gers, até às formações de ataque em que os quatro membros da cordas se postam, o engajamento com a plateia é constante.

Com uma carreira de impressionantes 39 álbuns, a banda lançou The Book of Souls (2015), elogiado pela crítica e amado pelo público. Mas nenhuma música datada de depois de 2006 entra no setlist, um verdadeiro Greatest Hits do Iron Maiden.

O show começa com Aces High, uma canção sobre a Batalha da Grã-Bretanha, de 1940, em que a Força Aérea Britânica defende o país de ataques nazistas. Para celebrar, a banda simplesmente faz voar sobre suas cabeças uma réplica gigante de um Spitfire, o avião de guerra britânico.

“Essa música é sobre liberdade, sobre o que significa lutar pela justiça”, diz um comunicativo Bruce Dickinson antes de The Clansman – canção sobre William Wallace, o herói da Guerra da Independência da Escócia. Ao fundo, no painel enorme, Eddie assume a identidade do “homem do clã” (apenas uma de suas múltiplas versões lá no fundo).

Em seguida, em versão “real”, o mascote surge no palco com três metros de altura, vestido de soldado britânico, e começa uma luta de espadas com o vocalista, enquanto o restante da banda estica uma versão de The Trooper (1983). O monstro é derrotado na batalha por “um tiro” de espingarda que tem uma bandeira do Brasil esticada sobre ela – um gesto sugestivo para os tempos presentes, mas talvez Dickinson apenas não saiba disso.

O espetáculo multimídia e performático durante a canção é uma das coisas mais “Iron Maiden” possíveis, mesmo se falando, justamente, de um show do Iron Maiden.

A peça-show prossegue com Dickinson vestindo capa e empunhando uma cruz durante Sign of the Cross (1995). Em seguida, o Ícaro gigante passa voando, em The Flight of Icarus (1983), apenas para o vocalista torrá-lo com um par de lança-chamas, como um Leonardo diCaprio brilhante num filme de Tarantino, só que desta vez dirigido direto do inferno. O imenso objeto de pedra-falsa cai, adequadamente, ao fundo do palco.

Em Number of the Beast, um espetáculo pirotécnico recebe uma caveira gigante com o monstro do Maiden. É a última canção do set antes do bis, que tem The Evil That Men Do (1988), um dos momentos que a banda entrega um momento mais puramente musical, seguida de Hallowed Be Thy Name (1993), onde Dickinson volta a interpretar e faz o prisioneiro condenado à forca. Depois de duas horas, o espetáculo termina com Run to the Hills (1982), uma das mais antigas do set, com seus riffs entoados por um coro de 100 mil pessoas.

Em entrevista ao Estado na época em que a banda foi anunciada no Rock in Rio, o vocalista Bruce Dickinson relembrou do show na primeira edição do Rock in Rio como um dos mais emocionantes de toda sua vida, apesar de lembrar da falta de organização no festival naquela ocasião.

Quando a banda voltou, para o Rock in Rio 2001, eles gravaram um disco ao vivo, dirigido pelo baixista Steve Harris. Em 2013, o Iron Maiden voltou ao cartaz do Rock in Rio, dividido naquele ano com estrelas do pop como Beyoncé e Justin Timberlake

Ele ainda explicou que a produção do novo show era tão grande que dessa vez Dickinson não viria pilotando o Ed Force One. “A gente não conseguiu colocar o show em apenas um 747.” Deu para ver por quê.

 

Veja na galeria abaixo as últimas fotos do festival:

 

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Rock In Rio 2019: confira fotos do 5º dia de shows do festival

HONRA: Sátin ? ...Trabalho? Se você tornar o trabalho mais agradável para mim... aí, talvez, eu vá trabalhar. É! Talvez! Se o trabalho é prazer, a vida é bela! Se o trabalho é obrigação, a vida é prisão! (Para ator) Você, Sardanapal! Vamos!...Ator ? Vamos, Nabucodonosor! Vou encher a cara que nem... quarenta mil beberrões. (Saem)Kliechtch ? Essa gente? Que espécie de gente é essa? É lixo, ralé... gente! Eu sou trabalhador. Sinto vergonha só de olhar para eles. Eu trabalho desde criança. Você acha que eu não vou me mandar daqui? Mesmo que tenha que me arrastar no chão e fique todo esfolado, eu me mando daqui. Espere só... Minha mulher, morre aí. Vivo aqui faz seis meses, mas é como se fossem seis anosPiépel (indiferente) ? Ninguém aqui é pior que você... Não devia falar assim...Kliechtch ? Não é pior? Vivem sem honra, sem consciência.Piépel ? Onde é que eles vão arrumar honra, consciência? Não podem calçar nem a honra, nem a consciência em vez de botas... Só aqueles que têm poder e força precisam de honra, consciência...Bubnov (entra) ? Ui... estou congelando!Piépel ? Bubnov, você têm consciência?Bubnov ? Se tenho o quê? Consciência?Piépel ? É, claro!Bubnov ? Pra que consciência? Eu não sou rico.Piépel ? É o que eu digo também. Quem precisa de honra e consciência são os ricos! Mas o Kliechtch está xingando a gente; diz que nós não temos consciência.Bubnov ? Por acaso ele queria pedir emprestada?Piépel ? Ele já tem, de sobra...Bubnov ? Ou seja, ele quer pôr à venda a consciência dele? Mas aqui ninguém quer comprar isso. Uma caixa quebrada talvez eu comprasse. Mesmo assim só se fosse fiado...Piépel (em voz professoral) ? Você é burro, Andriuchka! Sobre consciência é preciso ouvir o Sátin e o Barão.Kliechtch ? Eu não tenho nada para falar com eles.Piépel ? Eles são mais inteligentes que você... Apesar de beberrões...Bubnov ? A verdade está no vinho.Piépel - O Sátin diz: Todo homem deseja que seu vizinho tenha boa consciência; mas para ele mesmo não apetece ter... E isso é verdade.

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