Fabiano Rodrigues | Divulgação
Fabiano Rodrigues | Divulgação

Saulo Duarte e a Unidade lança disco com canções sobre rupturas e reflexões

Terceiro disco da banda, que chega ao streaming nesta quarta-feira, 29, foi gravado em março ao vivo e sem retoques

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2016 | 04h00

A imagem da ativista Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy, assassinada no Pará em 2005, é uma daquelas que vieram à cabeça de Saulo Duarte, músico que empresta seu nome à banda Saulo Duarte e a Unidade, nos versos mais tristes de Uma Música, a nona faixa de Cine Ruptura, o terceiro álbum da trupe. “Às vezes é difícil falar, às vezes é difícil pensar na agonia/ Do dia a dia/ E todas essas coisas que não param de crescer/ E o coração desnorteado, cansado, não entende tanta covardia/ E é tanta coisa oculta, tanta vida morta/ Tanta gente boa que a gente nunca mais vai ver”. 

A canção, das primeiras dessa nova safra, criada logo após o lançamento do segundo álbum da banda, Quente, ou seja, em 2014, não navega por águas maniqueístas. Nada é inteiramente bom ou ruim, ao contrário. Uma Música é (também) uma súplica de esperança. “Procuro um caminho confortável / Onde eu possa tranquilamente desatar os nós da minha garganta / E isso é esperança / Cantar tem o gosto vivo e é o contrário de morrer.” 

 

É na dualidade, esperança e desespero, a tradição e os novos valores, e na massa cinzenta que existe entre os dois opostos, o combustível que propulsou a nova empreitada de A Unidade, que chega aos assinantes do serviço de música por streaming Deezer hoje e aos demais formatos no dia 6. 

Cine, de cinema, e ruptura, juntos, compõem o conceito estabelecido pelo grupo para o terceiro disco viabilizado pelo edital Natura Musical. Trata-se de uma jornada que distancia a Unidade do som do primeiro disco, de 2013, e Quente, do ano seguinte. Nascido no Pará, Saulo passou a adolescência em Fortaleza e mora em São Paulo há oito anos. Os dois primeiros discos escancaravam o resgate da musicalidade amazônica. Era a força motriz daquelas canções, embora a sonoridade da Unidade não se resumisse a isso. Cine Ruptura, de certa forma, também rompe com isso. Saulo lembra da sensação ao ouvir Listening Wind, faixa do disco Remain in Light (1980), do Talking Heads, e se viu impregnado pelos vazios e silêncios de David Byrne e companhia. Uma Música nasceu assim. “(Listening Wind) é linda demais. Eu chapei. Queria fazer algo que tivesse essa vibração”, conta Saulo. “Queria usar essa melancolia e essa nostalgia.” 

Assista ao making of de Cine Ruptura:

Não é por acaso que o centro conceitual de Cine Ruptura tenha se apresentado para Saulo já nessa canção. “Uma Música expõe a capacidade de renovação, mesmo que melancólica. Ela é muito simbólica para Cine Ruptura”, explica o vocalista. Há no disco, é claro, a sonoridade pela qual Saulo e a Unidade ficaram conhecidos. Como ele explica, “o disco mostra outros sons que já tínhamos.”

Outra faixa que conceitualmente pontua o trabalho é, justamente, aquela escolhida para abri-lo, Liberdade. Escancaradamente uma música-mantra cujo tema já está ali no título. “Você tem todo o direito de tomar sua cerveja / De fumar seu cigarro e de fazer sua cabeça”, canta Saulo. “Percebo que esse disco é um trabalho muito atual. É um disco de 2016”, explica o músico. Cine Ruptura, por ter sido gravado em março, está “fresco”, como Saulo gosta de brincar. E a ruptura do título também vem das otimistas transformações sociais pelas quais o País. “A positividade precisa estar presente. Ainda existe o sorriso, a praia. Se não, seria uma onda de pessimismo.” 

SAULO DUARTE E A UNIDADE

Centro Cultural Rio Verde. 

R. Belmiro Braga, 119, Vila 

Madalena. Tel.: 3034-5703. 

Sáb. (16), às 22h. R$ 20. 

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