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São Paulo recebe segunda edição de festival de jazz

Nomes novos e consagrados se misturam na programação do BMW Jazz Festival, incluindo The J.B.’s, Chick Corea, The Clayton Brothers e Toninho Ferragutti

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 18h50

O núcleo de metais original do grupo The J.B.’s, lendária banda de apoio do “Godfather of Soul” James Brown (1933-2006), formada há 42 anos, é a maior atração da segunda edição do BMW Jazz Festival, que ocorrerá em São Paulo entre 8 a 10 de junho. Além dos J.B.’s, estão no programa nove outras atrações, a mais reluzente delas o pianista Chick Corea, mestre do jazz fusion. 

O programa tem ainda o veterano saxofonista Charles Lloyd (um contraventor do jazz, como Sun Ra e Pharoah Sanders); a revelação do trompete Ambrose Akinmusire e seu quinteto; o projeto “cubano” do prodígio do trompete Christian Scott, Ninety Miles; o trombonista prodígio Trombone Shorty (que já veio ao País para edições do Bourbon Street Jazz Festival); o quinteto The Clayton Brothers, que concorreu ao Grammy em 2009 e 2010; e a banda Darcy James Argue’s Secret Society, uma big band de 18 componentes, que aborda o jazz de um elástico ponto de vista.

Formada pelos saxofonistas Maceo Parker (68 anos) e Alfred “Pee Wee” Ellis (70 anos) e pelo trombonista Fred Wesley (68 anos), a banda histórica de James Brown vai tocar de graça no Ibirapuera, no dia 10 de junho. Em outubro do ano passado, tocaram juntos pela primeira vez em 20 anos no Town Hall de Nova York. Não foram apenas sidemen de James Brown - cada um desses senhores tem uma carreira discográfica, e acompanharam, nas últimas décadas, gente como Prince, Van Morrison e o Parliament-Funkadelic, entre outros.

“Quando eu chego a ponto de começar a falar em porcentagens, gosto de dizer que Pee Wee é 100% jazz, mas pode tocar funk; Fred é 50% jazz e 50% funk; e eu sou 100% funk. Quando colocamos tudo isso junto, mexemos e misturamos, é mágico”, diz Maceo Parker.

A vinda simultânea dos J.B.’s e de Trombone Shorty permite ouvir, numa mesma jornada, as duas pontas originadoras do funk norte-americano: o clássico estilo nova-iorquino (a banda de Brown) e o balanço de New Orleans (que Shorty representa com fúria e virtuosismo). Nos shows de James Brown, ficaram famosas as divertidas frases de desafio com que o músico incitava sua banda (“Hit me, Fred!”; “Pee Wee, take it on out!”; ou “Maceo, all right, bring your lickin’ stick!”).

O pianista Chick Corea vem com uma versão acústica de seu mítico Return to Forever, acompanhado dos não menos famosos Stanley Clarke (baixo) e Lenny White (bateria, que tocou no álbum Bitches Brew, de Miles Davis). Charles Lloyd traz para tocar consigo três instrumentistas que são atrações sozinhos em qualquer festival de jazz: o notável pianista Jason Moran, o baixista Reuben Rogers e o baterista Eric Harland.

No ano passado, a primeira edição do BMW Jazz Festival teve os ingressos esgotados em duas horas. Este ano, para aumentar a oferta de entradas, a organização mudou o local dos shows: em vez do Auditório Ibirapuera, serão agora no Via Funchal, o que garante 1,7 mil ingressos a mais por dia.

“O jazz tem pouca difusão nos meios de comunicação, precisa acontecer ao vivo para ser reconhecido e admirado”, diz Monique Gardenberg, da Dueto Produções, que organiza a mostra. A continuidade do BMW Jazz Festival, segundo Monique, pode dar a certeza de que haverá também uma formação de plateia para o jazz. 

Monique mantém desde 1985 a mesma equipe de curadores que já organizou mostras como o Free Jazz Festival e o Tim Festival: Zuza Homem de Mello, Zé Nogueira e o produtor Pedro Albuquerque. Para esta edição do BMW Jazz, Zé Nogueira diz que os curadores procuraram “abrir o leque”, caminhando para um painel musical que inclui jazz fusion, jazz tradicional, jazz funk e até um toque de afro-cubano - este último a cargo do grupo de Christian Scott, Ninety Miles (noventa milhas, que é a distância entre Miami e a ilha de Fidel).

“Há vários nomes novos, aliados a consagrados. Basicamente, é essa a linha mestra do festival deste ano”, disse Zuza Homem de Mello. “Ousadia e inovação, que eu acho que são a obrigação de todo festival”, afirma Monique.

Haverá certamente uma corrida a um notável cast de workshops que o festival oferecerá na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp). Estarão lá ensinando para sortudos os músicos Chick Corea, Lenny White, Stanley Clarke, Charles Lloyd, Christian Scott e Trombone Shorty (acompanhado de seu baterista, Joey Peebles).

Do Brasil, foi escalado um instrumento que, na visão de Zuza Homem de Mello, vive um momento de prestígio único: a sanfona. Um grupo capitaneado por Toninho Ferragutti e Bebê Kramer organizam esse tributo ao acordeão - Zuza chegou a citar o documentário O Milagre de Santa Luzia, protagonizado por Dominguinhos, para ilustrar como a diáspora do instrumento forjou alicerces importantes da moderna música brasileira.

Ainda não há preços definidos para o evento, mas devem ficar no mesmo patamar dos praticados no ano passado, garantiu Monique. O custo total do festival não foi informado pela produção.

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