São Paulo e Minas dominam segunda eliminatória

Minas Gerais e São Paulo dominaram a segunda semifinal do 3.º Prêmio Visa de MPB - Edição Compositores, realizada ontem, no Teatro Cultura Artística. De Minas vieram Clayton Prósperi e Sérgio Santos; representando São Paulo, Simone Guimarães (que concorre em dupla com a parceira carioca Cristina Saraiva) e Dante Ozzetti.Mas a música de Simone, que abriu a noite, evoca muito os sons de Minas. Naturalmente: ela é paulista de Santa Rosa do Viterbo, que fica ali quase na divisa mineira - é natural que o ambiente sonoro da região rompa as fronteiras, mesmo. Embora tenha obra ampla, Simone preferiu repetir dois dos números que já havia mostrado na apresentação da etapa semifinal - Laranjeiras e Canção para Um Pianista. A esses números, acrescentou os dois novos que o regulamento exige (poderiam ser quatro novos), Cantos para Despertar e Relento.São músicas densas, intensas, como tudo o que ela faz - e mesmo quando a canção é mais alegre, a voz grave de Simone a impregna de dor profunda, a dor primordial do ser sensível. É uma escola de interpretação muito original (eventualmente, alguém diz que parece Elis; não parece, são tensões e intenções diferentes). Simone valeu-se, ainda, de grandes músicos: Franklin da Flauta, o pianista Leandro Braga, o contrabaixista e violonista Maurício Maestro, a violoncelista Marisa Silviera e o baterista Xande Figueiredo.O segundo concorrente da noite foi Clayton Prósperi, que é mineiro de Três Pontas, terra adotiva de Milton Nascimento (que nasceu no Rio) e terra de nascimento de Wagner Tiso. Clayton preferiu mostrar quatro músicas novas: Aura Clara, Outras Canções e Vento Corrupio, só dele, e Eu, Pescador, que tem letra de Haroldo de Souza Júnior. É um dos mais jovens concorrentes do Prêmio Visa, com 28 anos.Sua grande influência musical, muito nítida, remonta aos anos 60: é o Clube da Esquina, o grupo de músicos que se reuniu em torno de Milton Nascimento para criar o movimento responsável pela entrada do som de Minas no mapa da música nacional. A música de Clayton, bem como sua voz e a sonoridade que busca extrair de seu teclado e de seus músicos, dá continuidade e expande o padrão dos integrantes do Clube (Beto Guedes e Lô Borges, sobretudo), o que ele poeticamente admite na letra de Outras Canções: "Antes coisas simples como as terras gerais/ Hoje são muito mais/ Outras Minas vindas de esquinas de sonho".Dante Ozzetti, a terceira atração, fez uma modificação no seu grupo: convidou, para solar e cantar a duas vozes com sua irmã, Ná Ozzetti, a cantora Virgínia Rosa. Juntas, elas empolgaram a platéia ao cantar o choro picadinho Dentro e Fora, num difícil exercício de coordenação e técnica individual. Se é verdade que o intérprete não está em julgamento mas a obra, é inegável que a presença de uma cantora do porte de Ná Ozzetti faz muita diferença - e quando ela conta com Virgínia Rosa para fazer dupla, imensa diferença. E Dante faz, sim, a música de São Paulo, carinhosa, mas um pouco enviesada, um olhar urbano, com muitas esquinas.Bem ao contrário, Sérgio Santos - mesmo que eventualmente faça, e muito bem, sambas - não escapa da aura mineira; e não quer, tanto que abriu sua participação com a canção Aboio, letra de Paulo César Pinheiro, música de seu primeiro disco, história de matos e boiadeiros, pampos e candieiros.Ele também mudou todo o repertório: além de Aboio, cantou Bandeira e Os Dois Extremos e o samba Me Chama Que Eu Vou.A última semifinal será realizada na segunda-feira, sempre às 21 horas, no Teatro Cultura Artística, com entrada franca. Vão apresentar-se Renato Motha, Chico Pinheiro, Márgio Gil e a dupla Zé Beto Corrêa e Bartholomeu Mendonça. Na mesma noite, depois da apresentação, o júri vai anunciar o nome dos cinco finalistas. A grande final será realizada no dia 8 de julho.

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