São Paulo é a capital do Jazz na América Latina

Eles têm entre 20 e 31 anos, estão nas classes A e B e gostam de... jazz. E eles são mais numerosos hoje em São Paulo do que jamais foram. A maioria das 18 mil pessoas que foram aos shows do recente Chivas Jazz Festival tinha esse perfil, segundo pesquisa da consultora Research International, encomendada pelo fabricante de uísque que patrocinou o evento.Não por acaso, o fabricante resolveu expandir a fórmula que deu certo aqui em São Paulo para outras capitais da América Latina. A partir de 2003, o modelo brasileiro do Chivas Jazz Festival ocupará também casas de Buenos Aires, Cidade do México e Caracas. "Nasceu um novo público, que é jovem, mas não é mauricinho", entusiasma-se Toy Lima, o produtor do Chivas e também do Heineken Concerts e do Natublues (este restrito a Curitiba e Porto Alegre, por enquanto). "É o cara que freqüenta livrarias, tem interesse por música, tem menos preconceito e que está à procura de um som diferente, mais sofisticado e elaborado."Em outubro, parte desse público renovado do jazz estará na disputa dos cerca de 1,5 mil lugares para assistir aos concertos essencialmente jazzísticos do Free Jazz Festival, como o show do veterano baterista Chico Hamilton.São muitos indicadores de que São Paulo se transformou na capital latino-americana do jazz. Uma dúzia de novas casas do gênero surgiram na cidade na última década, todas elas com as noites lotadas, como o Tom Tom Club, o All That Jazz, o Baretto, o Grazie Dio, Buena Vista e Blen Blen Club."Os argentinos, por exemplo, surpreendem-se quando vêm aqui, porque vêem uma vida cultural muito mais ativa do que em sua capital", diz Edgar Radesca, proprietário do Bourbon Street Music Club, a maior casa de jazz de São Paulo, que recebe um público médio de 350 pessoas por noite.No novíssimo Baretto, na Rua Amauri, o veterano David Gordon (que já esquentou as noites do pioneiro 150 Night Club, nos anos 80) é o mestre-de-cerimônias de uma casa sofisticada. Até recentemente, agitava a programação do local o crossover Música Ligeira, um trio de viola, violino e violoncelo. Outro astro lá é Carlos Fernando, ex-vocalista do Nouvelle Cuisine.O hype do momento é o Urbano, na Rua Cardeal Arcoverde. Mais de mil pessoas toda noite, num movimento de invasão do terreno santo da MPB, a Vila Madalena. "Outro fenômeno incrível é o aparecimento das big bands", diz Guga Stroeter, vibrafonista. "Só São Paulo tem um número crescente de big bands no conceito estrito, com orquestras de 16 a 20 músicos no palco."Entre essas big bands estão a do próprio Stroeter, a Banda Mantiqueira, a Brazuca, a Soundscape (que toca jazz mainstream no Blen Blen) e a Zerró Santos Big Band Projeto. O aumento do interesse coincide com o surgimento de escolas especializadas, como a Ritmu´s, na Rua Teodoro Sampaio."Há uma geração de 20 e poucos anos tocando jazz como não havia no passado, uma molecada que está apavorando", diz Stroeter. Ele cita Célio Barros, André Memari, Daniel Alcântara, Tiago Espírito Santo, Edu Ribeiro e Yamandu Costa. "Os músicos da big band de Wynton Marsalis, ao verem o baterista Edu Ribeiro em ação, enlouqueceram", conta.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2001 | 18h58

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