Jerry L. Rodrigues/Divulgação
Jerry L. Rodrigues/Divulgação

São Luiz do Paraitinga traz a São Paulo seu carnaval tradicional

Evento terá marchinhas contagiantes, blocos e bonecos

Lauro Lisboa Garcia, Especial para O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2015 | 21h23

Cidade de muita música, muita cor e muita festa o ano todo, São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, também tem um famoso e concorrido carnaval que foi até tema de reportagem do jornal The New York Times em 2008. Às vésperas de mais um colorido reinado da alegria, músicos e foliões trazem para a capital uma parte da festa ao ritmo de suas contagiantes marchinhas. Dessa sexta, 6, a domingo, 8, entre cortejos de rua e shows em palco montado na Praça do Patriarca, os paulistanos vão ter uma amostra do que a cidade produz, com desfiles dos tradicionais blocos Juca Teles, Maricota e Barbosa, e apresentações da Banda Confrete (com Suzana Salles, Paulo Padilha e Wanderléa como convidada), do compositor Galvão Frade e do grupo Estrambelhados, representante da nova geração. O evento faz parte do Festival CCBB de Carnaval, em sua terceira edição. A concentração começa ao meio-dia na frente do Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112) e os shows, às 14 horas.

Além das apresentações musicais o festival também realiza uma oficina de adereços (na sexta, das 14h às 18h, no auditório do CCBB) com o artista plástico luizense Benito Campos, nome importante na cultura local. É ele o criador do visual dos blocos, dos famosos bonecos gigantes, que estarão nos cortejos em São Paulo, e dos troféus do festival de marchinhas, que é realizado na cidade há 30 anos. "A estética das tiaras e outros adereços é do Benito. O chitão colorido foi ideia da dona Cinira (mulher de Elpídio dos Santos e morta em 2011), mas o aproveitamento estético é do Benito. E ele é o mentor intelectual desse revival, de cultuação de figuras da cidade, de mitos e lendas da região que utiliza em seus bonecos", diz Suzana, curadora do evento. "Na participação de Wanderléa vai ter umas marchinhas bem clássicas de Ary Barroso, Jararaca e Ratinho, Lamartine Babo, mas a idéia é promover mais a música de São Luiz mesmo, incluindo muitas novas e inéditas. No cortejo toca a Charanga do Quadô com Tânia Moradei, que é a cantora oficial do carnaval luizense de tantos anos."

Esse peculiar carnaval teve sua história bem contada num espesso e caprichado livro, recheado de fotos, São Luiz do Paraitinga - Sem Rabo e Sem Chifre - A Evolução do Carnaval das Marchinhas na Terra de Juca Teles do Sertão das Cotias, de Degiovani Lopes da Silva e Maria Alice Ferreira do Amaral Veira, editado em 2012 pelos próprios autores.

Embora conserve o melhor da tradição, a música carnavalesca de lá não é nostálgica como se vê no frevo pernambucano. Berço de Elpídio dos Santos (famoso compositor das trilhas sonoras dos filmes de Mazzaropi), Betão Aguiar e do Grupo Paranga (revelado na década de 1980), é um celeiro musical que influencia não apenas os filhos da terra (como Camilo Frade, Lia Marques e Joana Egypto), mas agrega compositores e cantores de fora, como Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci, que já participaram do festival de marchinhas, e Suzana Salles, cantora que agita a festa às margens do rio Paraitinga há mais de 20 anos.

Com isso, há uma constante renovação de repertório, que os foliões aprendem rapidamente, além de se juntar a sucessos dos anos anteriores, que se tornaram clássicos, como Paixão de Praia e Maria Rita, de Galvão. Existe uma "visão cristalizada de uma cidadezinha do interior de São Paulo", conforme diz Suzana. "Mas é um carnaval atuante, vivo e deflagrador de muitas outras artes. Inclusive é modelo na região. Isso é surpreendente em todos os sentidos. E acho que isso se deve à eterna e infindável criação de músicas que tem lá."

"O carnaval ainda quem faz é o folião", diz uma canção de Lucas Santtana, gravada no primeiro álbum do grupo Baiana System. Suzana concorda. "Nada mais verdadeiro do que isso. Tanto é que virá São Luiz um ônibus lotado de foliões para participar dos cortejos. São peças fundamentais nesse evento, porque são eles que fazem a festa. Quem vai ao carnaval de São Luiz sempre vai estar do lado dessas pessoas e você as ouve cantarem as músicas inteiras e aprende rapidinho com essas aulas informais."

Em São Paulo, Suzana sai em dois blocos: Nóis Trupica Mais Não Cai e o Água Preta. O Nóis Trupica também faz festival de marchinhas e os integrantes saem todo ano para a rua cantando as músicas novas. Originalmente, o bloco foi formado por pessoas que conheceram o carnaval de São Luiz do Paraitinga. "Então, acho que houve uma exportação de como fazer carnaval de rua. Eles aprenderam", conclui a cantora.


FESTIVAL CCBB DECARNAVAL

CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, metrô Sé, 3113-3651. Sex a dom., a partir das 12 h. Grátis. 

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