"Santa Música" é o novo CD de Erasmo Carlos

Enquanto a parceria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos permanece em banho-maria, e Roberto ainda chora a ausência da falecida Maria Rita, Erasmo fica com as vivas e assina sozinho todas as canções do novo disco. E é sobre elas que discorre em 8 das 12 faixas de seu novo CD, Santa Música (Indie Records). Apesar do título e da referência à Bíblia na capa, a alusão religiosa está longe da carolice de Roberto. "Se Deus tivesse outro nome, certamente seria música", escreve Erasmo no encarte. A oração à música, um protesto irado contra a Guerra ao Iraque, uma bem-humorada reflexão sobre o coração e uma homenagem ao amigo Tim Maia (1942-1998), com a cara do próprio, são pequenos desvios do tema predileto do compositor: as mulheres e suas idiossincrasias. De forma explícita ou indireta, elas inspiram letras românticas (Cultura Poética), sensuais (Lua no Cio) e picantes (Calma Baby, com direito a gemidos e tudo). Lero-Lero, a primeira faixa de trabalho do CD, provoca sem meios-termos: Vem tocar comigo os sinos da paixão/ Se não for mal de T.P.M./ Só pode ser má-criação. De gravadora nova e mais familiarizado com as novas tecnologias, ele teve tempo e liberdade para fazer o que quis. "Pude abrir o leque, chamar os músicos que eu amo, reunir várias gerações", comenta. Co-produzido por ele e Marcelo Sussekind, o disco tem produção primorosa e grande potencial radiofônico, oscilando entre boas levadas de soul funk, bolero pop, reggae, variações de rock, baladas e até um fox. "Não tenho um estilo predileto, sou muito aberto", diz. "Junto experiências minhas e dos amigos, com o que vejo em jornais, livros, cinema e histórias em quadrinhos." Erasmo ouve de tudo, de Diana Krall a eletrônica, mais rock básico e João Gilberto sempre. Isso se reflete na sonoridade do CD.

Agencia Estado,

11 de fevereiro de 2004 | 10h34

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