"Sansão e Dalila" em SP até segunda

A razão da escolha, diz o maestro Ira Levin, diretor artístico do Teatro Municipal, foi o desejo de apresentar uma ópera que abrisse grande espaço à participação do coral. Por isso a escolha de Sansão e Dalila, de Camille Saint-Saëns, que estreou ontem, em versão de concerto, tendo Howard Haskin (Sansão), Graciela Alperyn (Dalila) e John Wegner (Sacerdote) nos papéis principais. Haverá mais duas apresentações: amanhã e na segunda. Hoje um dos pilares do repertório francês, Samson et Dalila, a princípio concebido como um oratório e, depois convertido numa ópera, teve um destino curioso: estreou em alemão, em Weimar, em 1877, e só alguns anos depois chegou à Opéra de Paris. São Paulo ouviu a ópera de Saint-Saëns pela última vez na década de 80, também em versão de concerto, com Fiorenza Cossotto e Corneliu Murgu. O maestro Levin chama a atenção para a qualidade da voz e da interpretação do americano Howard Haskin, que vem fazendo carreira como tenor dramático, e menciona a sua intenção de, no futuro, incluí-lo num projeto de encenação do Otello de Verdi. Haskin criou, em 1992, o papel de Vova na ópera Minha Vida com um Idiota, de Alfred Shnittke, da qual existe, no selo Sony, a gravação regida por Mstislav Rostropóvitch. Levin garante também que será uma boa surpresa para o público o desempenho do barítono John Wegner, do qual diz que tem um timbre privilegiado. A meio-soprano argentina Graciela Alperyn, de quem Levin diz que é "uma cantora muito confiável", já é conhecida do público de São Paulo. Aqui esteve, em 1994, fazendo uma boa Carmen - papel que gravou para o selo Naxos. E foi quem teve o melhor desempenho, como Azucena, na malsucedida montagem do Trovatore a que o Municipal assistiu no ano passado. O tipo de voz e de sensibilidade a tornam muito adequada para fazer o papel de Dalila. Estão igualmente no elenco Fernando Gazoni (Abimelech), Eduardo Pinho e Márcio Martins (os dois filisteus), Dimas Luís Carmo (mensageiro) e Sávio Sperandio (o velho hebreu). A duplicidade de origem de Sansão e Dalila é a responsável pelo caráter híbrido da partitura que, no primeiro ato, traz forte influência dos oratórios sacros de Mendelssohn, mas, no segundo, evolui para o drama lírico no estilo de Gounod, chegando a assumir formas típicas do grand-opéra de estampa meyerbeeriana no último ato. Essa multiplicidade de influências, porém, é unificada pela individualidade da inspiração melódica de Saint-Saëns - sobretudo numa ária favorita do público como Mon coeur s´ouvre à ta voix - e pela riqueza de seus recursos de instrumentação.Sansão e Dalila - Amanhã e segunda, às 20h30. De R$ 10,00 a R$ 35,00. Teatro Municipal. Praça Ramos de Azevedo, s/n.º, tel. 222-8698.

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