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Sambas e boleros estão no novo disco da Orquestra Imperial

'Fazendo as Pazes com o Swing' sai cinco anos depois do álbum de estreia, 'Carnaval Só Ano que Vem'

Rafael Abreu, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2012 | 07h00

Basta assistir a um de seus bailes: a Orquestra Imperial parece brincadeira. E talvez seja pela leveza do improviso amigável de 13, 15, 20 músicos - a formação ao vivo é flutuante - que os shows e os lançamentos vêm a conta-gotas. São feitos sem muito compromisso, ao sabor da vontade. Fazendo as Pazes com o Swing, segundo disco do conjunto, chegou às lojas só na última semana, cinco anos depois da estreia, Carnaval Só Ano Que Vem.

O intervalo parece grande, mas Thalma de Freitas, uma das várias vozes do grupo, esclarece: “A Orquestra não funciona em escala industrial. Um trabalho a cada cinco anos eu acho até uma média boa”. Para ela, esse tempo foi muito importante para amadurecer o álbum, cuja ideia surgiu pela primeira vez logo após o lançamento do primeiro trabalho, ainda em 2007. 

Nesse meio tempo, canções não faltaram. Num grupo que une Wilson das Neves, Alexandre Kassin e muitos outros nomes relevantes da música brasileira, sempre havia alguém compondo. Quando um de seus fundadores, Berna Ceppas, decidiu tentar reuni-los para a gravação do disco, há um ano, a gênese do trabalho se deu mais pela edição de um repertório do que pela criação de uma obra do zero. “Ela aconteceu no sentido de ver se tinha bolero demais aqui, se tinha muita música com voz masculina, etc. Foi uma questão de logística interna”, explica Ceppas.

A “logística” majoritariamente sambista do novo trabalho é tanto novidade quanto notícia velha. Inicialmente um projeto de gafieira, o primeiro disco da Orquestra tinha samba, mas não só - por isso o nome, que adiava a chegada do gênero. Na produção do último álbum, Leo Monteiro (percussão eletrônica) fez o comentário que o batizaria: de volta ao samba, a Orquestra fazia as pazes com o swing.

No som, muito balanço; na capa, um tanto de saudade. Com o rosto pintado, quem estampa o encarte é Nelson Jacobina, que morreu de câncer pouco tempo depois do fim das gravações do álbum, dedicado a ele. Companheiro de composição de Jorge Mautner, outro célebre integrante do conjunto, Nelson fez alguns arranjos e tocou os violões e uma das três guitarras do lançamento, sendo uma força criativa essencial do grupo. “Nós temos um feng shui humano muito louco, cada um de um lugar, de um jeito. O Nelson era alguém extremamente iluminado, no meio de tudo isso”, afirma Ceppas.

O “feng shui humano” é, de fato, uma das principais características da Orquestra. Para Thalma, por reunir veteranos e “novatos”, a Orquestra está entre a experiência de dinossauros e a visão de músicos mais jovens. “Eles (os mais velhos) vão legitimando a gente, e a gente os vai atualizando”, comenta. Ainda bebê, a cantora sentou no colo de João Donato. Hoje, divide com ele, na composição e na gravação, a canção Enquanto a Gente Namora.

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