Samba domina palcos da cidade

O samba faz festa na cidade, comlançamento de três discos - o fundo de quintal de Arlindo Cruz eSombrinha, o híbrido (tem até participação do rapper RappinHood) de Leci Brandão e a bossa perene de Rosa Passos. ArlindoCruz, Sombrinha e Leci dividem o palco do Olympia, desta sexta-feira até domingo. Rosinha canta sexta e domingo no Sesc SantoAndré. Hoje Tem Samba é o título do novo disco da duplaformada pelo banjista Arlindo Domingos da Cruz Filho e pelocavaquinhista Montgomerry Ferreira Nunes, dito Sombrinha.Arlindo é carioca, fundador do Fundo de Quintal, filho deportelenses, mas imperiano (do Império Serrano) desde sempre,autor de dezenas de obras-primas, como Bagaço da Laranja eSó pra Contrariar (da qual aquele grupo de pagode bregaroubou o nome). O companheiro Sombrinha é santista mas estava na turmaque criou o Fundo de Quintal, celeiro do samba do subúrbio daLeopoldina. Entre seus grandes sucessos se contam O Show TemQue Continuar (com Luís Carlos da Vila, um dos mais belossambas de todos os tempos) e É sempre Assim (com ArlindoPereira). O novo trabalho deles segue o padrão altíssimo dotrabalho deles - o que fazem os dois e o que fazem com outrosparceiros. A dupla foi formada em 1996, desafiando o falsopagode, então hegemônico, e este é o quinto disco que lançam.Para atestar o prestígio, vejam-se os convidados especiais: BethCarvalho, na faixa que abre o disco, Consciência, de ArlindoCruz, Franco e Acyr Marques; Jamelão, em Dona Neuma - A Rosa de Arlindo, Sombrinha e Franco; as velhas-guardas da Portela edo Império Serrano, no Samba de Madureira, de Arlindo Cruz,Maurição e Jorge David. Falta a eles o reconhecimento público que Zeca Pagodinhoou Jorge Aragão, a quem nada ficam a dever, já obtiveram. Sejacomo for, Hoje Tem Samba é um dos grandes discos do ano. Queo público o descubra. O disco da mangueirense Leci Brandão foi gravado ao vivo em São Paulo. É uma homenagem da cantora à sua mãe. Leva o nomede A Filha da Dona Lecy e coleciona alguns de seus sucessos,além de apresentar músicas novas, entre as quais a que dá títuloao CD. Vencedora de dois prêmios Sharp, Leci deu vida a belezascomo Isso É Fundo de Quintal, Só Quero te Namorar, Café comPão, Papai Vadiou - músicas que fazem parte do repertório dequalquer roda de samba que mereça o título. A baiana Rosa Passos escolheu três autores para cantarem seu novo disco: seu conterrâneo Gilberto Gil, o alagoanoDjavan e o mineiro João Bosco. É de Djavan a música que dátítulo ao trabalho, Azul (aquela que diz que o amor éazulzinho). Filtrado pelo proverbial bom gosto da cantora, esse é umtrabalho diferente na discografia de Rosinha. Não só pelosarranjos de cordas e, em muitas faixas, metais (da BandaMantiqueira), mas pelo pulso um pouco menos intimista - emfaixas como Samurai (Djavan) ou Mancada (Gil). Rosaacaba de fazer um disco especialmente para o mercadonorte-americano (Me and My Heart) e, ainda neste ano, gravacom o violoncelista Yo-Yo Ma, a convite dele. Assina a produçãode Azul e segue sendo uma das mais sensíveis e perfeitascantoras modernas, com reconhecimento internacional maior do queo local. A corrigir.Serviço - Leci Brandão e Arlindo Cruz & Sombrinha. Sexta, às22h30. De R$ 10,00 a R$ 25,00 (estudantes); e R$ 20,00 a R$ 5000. Olympia. Rua Clélia, 1.517, tel. 3866-3000 Rosa Passos. Sábado,às 20h30; e domingo, às 19 horas. De R$ 600 a R$ 12,00. Sesc Santo André. Rua Tamarutaca, 302, tel. 4469-1200

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