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Sam Smith desbanca Beyoncé e Pharrell Williams e leva 4 prêmios Grammy

Britânico conquistou as estatuetas de canção e gravação do ano

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

09 de fevereiro de 2015 | 02h25

A guitarra de Angus Young se fez ouvida na abertura da 57ª cerimônia do Grammy, realizada no fim da noite deste domingo, no Staples Center, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Rock or Bust, música título do novo disco do AC/DC, abriu a apresentação, mas foi com Highway to Hell, hit máximo da banda australiana, que a cerimônia mostrou a que veio. Uma escolha certeira - e roqueira -, ainda antes do curto monólogo de abertura do rapper LL Cool J.

Grande aposta do mercado de 2015, o inglês Sam Smith, de apenas 22 anos, chegou ao evento disputando com grandes nomes da música pop, Pharrell Williams e Beyoncé, cada um com seis indicações. E levou a primeira da noite, na categoria de artista revelação. O discurso foi rápido, talvez ele estivesse esperando por mais no futuro. Pharrell, contudo, não deixou o jovem britânico escapar e abocanhou, logo na sequência, o prêmio de Melhor Performance Pop Solo, com a bem-sucedida Happy.

Sim, a disputa levaria a noite toda. Pharrell levou três prêmios, Beyoncé também, incluindo algumas categorias mais técnicas, mas o destaque foi o novato - e isso não há dúvida. Mas, no fim da noite, veio o xeque-mate dele, com a vitória de canção e gravação do ano, com Stay With Me. A semelhança de Sam Smith com a obra de Adele, ambos cantores ingleses que vão fundo nas raízes do soul e R&B, parece colocar o jovem nas pegadas dela. Em 2012, Adele levou os seis prêmios, com 100% de aproveitamento, e apenas dois discos lançados. Tornou-se o maior fenômeno da indústria fonográfica na última década - para dizer o mínimo.

Smith tem apenas um álbum, In the Lonely Hour, lançado no ano passado, mas logo chamou a atenção dos críticos justamente por trazer essa música de raiz norte-americana, de origem negra, para uma roupagem moderna, capaz de agradar os mais jovens e não perturbar os fãs dos clássicos. Caiu no gosto de todos, como Adele, alguns anos antes. O sucesso no Grammy, mais repentino do que o que aconteceu com a inglesa, só mostra a ânsia da indústria, principalmente a britânica, em encontrar uma nova galinha dos ovos de ouro. E, ao que parece, com Smith, eles encontraram nomes promissores.

Ao receber o segundo prêmio da noite, como melhor álbum vocal pop, Smith agradeceu ao público e lembrou os momentos pré-fama, quando ele tentava se enquadrar nos padrões de beleza estabelecidos, perder peso, criar músicas que pudessem tocar nas rádios, mas lhe faltava alma. Agora, ele parece ter encontrado um caminho.

Se a noite deste domingo teve um início com o rock clássico do AC/DC, logo para o pop mais radiofônico e mainstream - gênero que, atualmente, é quem segura as pontas da capenga indústria fonográfica.

O rock, mesmo, só voltou a ser lembrado quando o relógio havia passado da meia-noite, na disputa de melhor álbum de rock, em uma disputa razoavelmente difícil entre Beck, Black Keys, Tom Petty And The Heartbreakers e U2. E o gramofone roqueiro da noite ficou com o mais indie deles, Beck, com seu Morning Phase, o primeiro disco realmente bom desde Sea Change, lançado em 2002.

Surpreendente, mesmo, foi Beck deixar para trás Pharrell, Sheeran, Smith e Beyoncé, e faturar o prêmio de álbum do ano. A análise da escolha mostra como o Grammy está disposto em ousar, afinal, em outros tempos, um artista pouco frequente nas rádios populares dificilmente teria chances em uma premiação grande como esta.

E se estamos dispostos a assistir a uma apresentação de pop, o que esperar da rainha do gênero? Madonna, aos 56 anos, lançou o single Livin For Love, a primeira música divulgada de forma oficial do novo disco dela, Rebel Heart. Subiu ao palco com as pernas de fora, mostrando estar em plena forma, rodeada de dançarinos vestidos como diabo, com enormes chifres, e mostrou uma canção que não parece dizer muito, nem mesmo marcar época, mas mostra que Madonna entende do negócio e está disposta a provar que Rebel Heart será melhor do que MDNA, uma decepção na fórmula de pop pasteurizado. Livin For Love bebe de fontes noventistas, de teclados e uma batida tecno que fará as pistas de dança ferverem quando tocada.

Se Madonna mostrou como se fazer uma boa apresentação no Grammy, embora o rebolado já não seja mais o mesmo, Kanye West tomou o palco para si, para cantar Only One, uma composição criada com Paul McCartney, e a transformou em uma tortura de autotune. Até mesmo a participação do ex-Beatle, ao lado de West e Rihanna, para tocar violão em FourFiveSeconds, foi apagadíssima pela qualidade questionável da faixa, assinada por Macca e West.

Tiroteio. Um homem foi morto em um evento pré-Grammy realizado na noite de sábado, após uma discussão e uma troca de tiros, em Los Angeles. Dentro da boate, chamada Supperclub, estavam os rappers DJ Paul, Snoop Dogg, Schoolboy Q e Wiz Khalifa. A polícia ainda não divulgou as identidades dos envolvidos.

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