Sakamoto lança CD e faz show em São Paulo

Responsável por trilhas sonoras memoráveis do cinema, como Furyo - Em Nome da Honra (filme estrelado por David Bowie), O Último Imperador e O Céu Que nos Protege, de Bernardo Bertolucci, o compositor japonês Ryuichi Sakamoto conta que ouviu Tom Jobim pela primeira vez nos anos 60. "Eu tinha 14 ou 15 anos e, desde então, Jobim tornou-se parte do meu corpo; sua música está em mim como uma carga genética", disse Sakamoto à reportagem, na manhã de sexta-feira. Mas não é só por conta de sua admiração pela música de Jobim que ele desembarca no Teatro Alfa, no dia 24, para uma série de quatro concertos com o Quarteto Jobim-Morelenbaum e Gilberto Gil."Jaques Morelenbaum também é como se fosse um membro da minha família", ele diz. "Eu o vi tocando em Nova York, há dez anos, pedi ao Caetano Veloso para me apresentar e desde então tivemos vários encontros, seja no Japão, nos Estados Unidos ou na Europa", lembra o músico, de 49 anos. Sakamoto vai tocar piano com o Quarteto Jobim-Morelenbaum, ao lado de Daniel Jobim, Paulo Jobim, Paula e Jaques Morelenbaum. Aproveita para lançar aqui um disco que saiu no ano passado nos Estados Unidos pela Sony Classical, Back to the Basic, no qual faz uma abordagem muito particular da música erudita."Digo que é um retorno ao básico porque, no meu caso particular, vejo a música erudita como o princípio da música", explica Sakamoto. "Não acho que o erudito seja a única expressão da pureza musical, porque vejo pureza também nas tradições musicais de diversos países - mas se você vê o tipo de pop music que ouvimos por aí nas ruas, poderíamos sim dizer que é uma espécie de pureza artística."Sakamoto, que estremeceu o Japão nos anos 70 com a Yellow Music Orchestra, um trio de pop eletrônico que tocou com o Kraftwerk e estabeleceu bases para a dance internacional feita hoje por grupos como o Pizzicato Five, hoje renega o pop. "Quando a dance music vai em direção à música erudita, eles estão apenas à procura de algo fresco - e acontece de a música erudita estar no caminho", observa. "Mas poderia ser qualquer outra coisa.""De fato, eu não ouço muito música techno - apenas quando caminho pelas ruas sou forçado a ouvir", informa. "Gosto de ver a Love Parade de Berlim e da caminhada dos participantes, mas acho a música techno um tanto chata." A Yellow Music Orchestra é considerada a mãe de toda a música de rave e do tecnopop japonês.Atualmente, Sakamoto, que vive em Nova York, conta que se ocupa em escrever peças de música ambiental para o Museu de Ciências de Tóquio. "O desafio é que procuro escrever algo com quase nenhum som musical", conta o compositor. "Por outro lado também deve ser música", afirma, rindo, para complementar: "Deve ser um ponto entre a música e a não-música, e esse balanço é algo difícil de se atingir."Ryuichi Sakamoto é grande amigo de Caetano Veloso, mas pela primeira vez vai apresentar-se em público no Brasil com outro baiano, Gilberto Gil. "Eu me sinto mais próximo do Caetano, talvez porque o senso de harmonia de nossa música seja parecido", afirma. "Mas são dois grandes cantores, gosto de ambos."

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