Sai um guia com os melhores discos da MPB

André Domingues, jornalista e estudioso de música desde criança acaba de lançar Os 100 Melhores CDs da MPB, um guia que traz em suas 208 páginas comentários sobre os 100 álbuns escolhidos em uma eleição da qual participaram dez especialistas musicais, contando com Domingues. Entre eles, aparecem o cantor Luiz Melodia, o jornalista Rui Moraes, o compositor Théo de Barros e o crítico Arley Pereira. Sem nenhuma lista predefinida, eles votaram aleatoriamente nos discos que consideravam os melhores. Afinal, como pode um disco de Carlinhos Brown aparecer entre os cem melhores da música brasileira e ninguém se lembrar dos Racionais MC´s ou de Marcelo D2? Até Wilson das Neves, o grande baterista, está na lista com um álbum obscuro. Mas não está o trombonista internacional Raul de Souza, ou o baixista Arismar do Espírito Santo, ou o violonista Yamandú Costa. Domingues explica a possível causa da ausência do rap: "Discos de rap foram até que bem votados, mas não o suficiente para ficarem entre os 100 mais. Mas é só daqui a uns dez anos que será possível saber se artistas mais recentes se tornaram clássicos ou não." Mas a discussão em torno do guia, segundo o autor, não deixa de ser saudável. "Música é um assunto muito sério. O guia vale também para se criar uma idéia de bom gosto."Uma seleção polêmica, como todasO livro começa com uma lista comentada com os 10 discos mais votados na eleição, sem ordem, de modo que ninguém sabe dizer se Cartola é melhor do que Chico Buarque. Ou comparar João Gilberto a Antônio Carlos Jobim e daí tirar um vencedor. Além de apresentar o disco faixa a faixa, faz uma espécie de contextualização de cada trabalho. Cabeça Dinossauro, clássico álbum dos Titãs de 1986, é colocado em seu tempo.Domingues conta que, muitas vezes, a polêmica maior mora na página 44. É onde aparece o álbum Alfagamabetizado, de Carlinhos Brown. Com o título de A Pele Preta dos Tambores Baianos, o artigo sobre o disco de um compositor que racha opiniões começa assim: "Carlinhos Brown, com sua musicalidade exuberante e sua marcante postura de exaltação da raça negra, foi a mais perfeita encarnação da estética e da atitude que acompanhavam a axé music..." O fato de ter procurado eleitores de uma mesma ´escola´ é outro ponto que levanta discussão. Embora sejam músicos, pesquisadores e jornalistas, todos os votantes têm perspectivas aproximadas do que consideram ´boa música´. Não há eleitores representantes do hip hop, do rock nacional, da música sertaneja. Os 100 Melhores CDs da MPB. Preço: R$ 34,90

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.