Sai "Slideling", disco-solo de Ian McCulloch

Mac, codinome do cantor Ian McCulloch, eterno líder de um dos grupos mais relevantes dos anos 80, Echo and the Bunnymen, lança seu quinto disco-solo, Slideling (Sum Records). O CD chega às lojas como sempre chegam às lojas os discos-solo de McCulloch, tentando mostrar que ele tem duas facetas distintas, uma como líder do Echo and the Bunnymen e outra como solista. Mas é difícil saber onde começa um e onde termina o outro. Seria possível que uma voz tão venerável dos anos 80 chegasse a ser autônoma décadas depois de ter iniciado sua carreira na banda de Liverpool? Que fosse capaz de fazer, sozinha, canções tão marcantes quanto as do Echo and the Bunnymen? "Acho que esse disco tem quatro ou cinco canções que têm qualidade, como Love In Veins, e que são plenamente capazes de se tornarem clássicos, como as canções do Bunnymen", diz o cantor, um divertido e conhecido bon vivant do rock. E ele conta para isso com uma pequena ajuda de bons amigos, como Chris Martin, do Coldplay, que faz backing vocals em Sliding e Arthur e toca piano em Arthur. Mac gosta do Coldplay e também já manifestou sua aprovação por um dos seus sucessores, o cantor Thom Yorke, do Radiohead. Mas hoje ele já não parece tão entusiasmado com Yorke. "Às vezes não sei se é um homem cantando ou um lobo uivando", diverte-se. As baladas, no entanto, também são sua força motriz. "Acho que elas têm mais força expressiva, permitem uma ocupação mais intensa dos espaços, e cada canção é tão dura de interpretar que me deixa exaurido - gosto disso." De qualquer modo, McCulloch não descuida da sua faceta Homem-Coelho. No dia 27, estava no palco do Festival de Glastonbury, um dos mais famosos da Inglaterra, tocando um set de clássicos do grupo, como The Back Of Love, The Cutter e Killing Moon. Os textos que saem na imprensa especializada parecem dar razão a Mac. "Slideling é uma intensa corrente de sangue subindo para a cabeça", assinalou a revista Uncut. "Não há trucagem sonora aqui; apenas Mac, O Baladeiro, surfando sobre parquinhos e estacionamentos e mandando bala na melhor faixa, Love in Veins", registrou a Mojo. "Slideling prova que seu frontman (dos Bunnymen) ainda está na sua melhor forma. Love in Veins é viciante", cravou a Red. O semanário New Musical Express foi ainda mais longe na sua análise simbológica. "Outro impressionante retorno do homem do sobretudo". Amado pelas platéias brasileiras, ao ponto de lotar casarões como Credicard Hall ou Via Funchal (dois dos lugares onde se apresentou), o Echo and the Bunnymen não deve tardar. "Se não formos em setembro, como está sendo combinado, iremos em novembro. Mas nós iremos, não vejo a hora de tomar umas caipirinhas", afirmou. E onde é que ele se sente melhor, na feia São Paulo definida por César Maia? Ou na bela viola do Rio de Janeiro? "De onde você está falando?", ele brinca. "Se é de São Paulo, então eu prefiro São Paulo. Falando sério: me sinto mais à vontade em São Paulo, é mais parecida com Liverpool", decreta Mr. Lips.

Agencia Estado,

24 de julho de 2003 | 18h28

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