Sai o CD "Moulin Rouge 2"

Muitos fãs que compraram a trilha sonora do filme Moulin Rouge - Amor em Vermelho, a mais vendida em 2001, ficaram-se perguntando o porquê da não inclusão da versão do ator inglês Jim Broadbent para a canção Like a Virgin, sucesso na voz de Madonna, ou do número musical responsável por uma das melhores cenas do filme, aquela em que Nicole Kidman e Ewan McGregor, surpreendidos na cama pelo duque de Monroth (Richard Roxburgh), dizem que estavam ensaiando uma peça e tentam vender a idéia do espetáculo para o duque produzir. É que o diretor australiano Baz Lurhmann, reprisando o que havia feito com a trilha de Romeu e Julieta, deixou essas e outras canções de fora para preencher mais uma compilação. Com a capa trazendo um número 2 estampado no bumbum de uma dançarina de cancã, o CD Moulin Rouge 2 acaba de ser lançado nos EUA e pode ser encomendado via amazon.com (US$ 13,28, mais taxas de transporte). São 11 faixas, algumas inéditas e sem o perigo da reprise da histérica Lady Marmalade, que recentemente venceu um Grammy de melhor colaboração pop. As novas canções são The Pitch (Spectacular Spectacular), a tal de Nicole e McGregor se recompondo rapidamente depois do flagra; Like a Virgin; Meet Me in the Red Room, interpretada pela cantora e compositora australiana Amiel; e The Show Must Go On, cantada por Nicole, Broadbent e Anthony Weigh. Há também duas versões instrumentais para Your Song, canção de Elton John e Bernie Taupin, uma outra para Nature Boy, de Eden Ahbez, e o Bolero final, com solo de violino do inglês Simon Standage. Lurhmann também selecionou a versão original, como executada no filme, de Nicole cantando Sparkling Diamonds, o número inicial que toma emprestado dos refrões de Diamonds Are a Girl´s Best Friend e Material Girl; e o dueto entre a atriz australiana e McGregor em Come What May, que concorreu ao Globo de Ouro de melhor canção, mas foi esnobada nas indicações para o Oscar. Um novo remix para Nicole interpretando One Day I´ll Fly Away ressalta ainda mais a bela composição de Will Jennings e Joe Sample. Moulin Rouge está concorrendo a oito Oscars, inclusive os de melhor filme e atriz. A não inclusão de Baz Lurhmann na categoria de melhor diretor parecia ter esfriado os ânimos do estúdio Fox quanto à possibilidade de esse musical ganhar o prêmio principal da noite de 24 de março. Os membros da Academia geralmente se abstêm de votar em filmes que não tenham seus diretores indicados. Uma exceção recente foi Conduzindo Miss Daisy, que ganhou o Oscar em 1990, apesar de seu diretor, Bruce Beresford, ter sido esnobado. Na reta final para a votação do Oscar, o termômetro de Moulin Rouge alcançou novamente a marca vermelha. No domingo, o extravagante trabalho de Lurhmann ganhou o prêmio de melhor filme do Sindicato dos Produtores da América. O musical bateu Uma Mente Brilhante, O Senhor dos Anéis: Sociedade do Anel, Shrek, e Harry Potter e a Pedra Filosofal (os dois últimos não concorrem ao Oscar). Criado há 12 anos, o Sindicato de Produtores só não antecipou corretamente os vencedores do Oscar de melhor filme em apenas três ocasiões.Com esse novo alento, o estúdio Fox, que já havia feito campanha milionária (algo em torno de US$ 10 milhões) para Moulin Rouge conquistar indicações para o Oscar, continua a investir em seu título. Os bem sacados anúncios da campanha do trabalho de Luhrmann nos principais jornais voltados para a indústria do show biz estão estampando cenas do filme com depoimentos de lendas da época de ouro dos musicais de Hollywood. Tom O´Neil, um expert em prêmios cinematográficos, escreveu um ensaio esta semana num jornal americano traçando um paralelo entre o aquecimento das chances de Moulin Rouge no Oscar com a vitória-surpresa de Sinfonia em Paris, musical de Vincente Minnelli, que derrotou Um Lugar ao Sol, Um Bonde Chamado Desejo, Decisão Antes do Amanhecer e Quo Vadis? no Oscar de 1952. "Ambos são romances, amparados por música retrô (George Gershwin no primeiro; Elton John no segundo) e que, inicialmente, foram recebidos com um chacoalhar de ombros por seus sérios concorrentes", atesta O´Neill. O último musical a ganhar um Oscar foi Oliver!, de Carol Reed, em 1969. Já a última atriz a vencer um prêmio da Academia por estrelar um musical foi Liza Minnelli, em 1973, por Cabaret. Se Nicole vencer por Moulin Rouge, ela entra para um seleto time de atrizes premiadas em musicais que também inclui Barbra Streisand (Funny Girl - A Garota Genial) e Julie Andrews (Mary Poppins). A campanha do estúdio Fox para Nicole não deixa nem uma das nuances de sua cortesã Satine de fora. Lembra o anúncio: "Ela Canta, Ela Dança, Ela Morre."

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