Sai no Brasil o novo álbum do Stereolab

Chegou às lojas na semana passada odisco Sound Dust (Warner Music), o novo trabalho da banda britânica Stereolab, um culto de poucos. Um pop com um pé no futuro e o outro atolado num velho sintetizador Moog e pianinhos de brinquedo. Com essa fórmula, o grupo Stereolab tornou-se um dos preferidos dos europeus nosanos 90. Transitou sempre numa faixa entre o alternativo e o referencial, como o Sonic Youth nos Estados Unidos."Costumava ouvir muito as trilhas de western spaghetti, mas preferia Ennio Morricone, não Nino Rota", disse o músico Tim Gane, fundador do Stereolab com sua mulher, Laetitia Sadier,em 1991. "Nino Rota não tocava muito minha sensibilidade, era um som mais clássico", ponderou.Além desse mundo de referências, adicione ao coquetel Stereolab um pouco de música francesa romântica, algo da vanguarda européia eletrônica, mais um tanto de Mutantes e até Egberto Gismonti, e você terá uma pálida idéia do que é oStereolab. "Comprei o disco mais recente de Gismonti, mas só ouvi duas músicas até agora", conta Gane.O Brasil os descobriu tardiamente, embora já tenham dez anos de estrada. No ano passado, estiveram em turnê pelo País e tocaram em São Paulo. Na folga, foram dançar na Vila Madalena,na Torre do Dr. Zero, e compraram velhos discos na Galeria do Rock. Aproveitando sua visita, a Trama lançou três dos seus discos: Space Age Batchelor Pad Music (1993), a coletânea desingles Switched on (1992) e Peng! (1992)."Não creio que o Stereolab tenha sido uma influência para bandas como Air, Yo la Tengo ou Tortoise", disse Gane. "Todos esses grupos fazem uma mistura de sons, e apenas a abordagem é um pouco mais contemplativa, mas são estilos muitodiferentes."Recentemente, a melancolia experimental do Stereolab foi definida pela crítica como "easy listening". Sound Dust é,de fato, algo próximo do som ambiente, para ouvir comendo canapé e tomando champanhe. Mas, também, reitera a proposta irônica do grupo, soando camp, deslocado. Além de Gane e Laetitia, o grupo tem na formação atual os músicos Simon Johns, Mary Hansen e Andy Ramsay, todos comveleidades de multiinstrumentistas.Em canções de nomes surrealistas como Black Ants inSound Dust ou Captain Easychord, eles reafirmam seumodelo de música pop, não tão fofinho quanto o The Gentle Wavese um pouco mais cerebral que o Belle & Sebastian, dois derivadosdiretos. Muito teclado e percussão decorativa fazem o miolo dosom do grupo nesse novo álbum, com alguns metais pontuando aquie ali. A batida é absolutamente harmoniosa, e o vocal deLaetitia é divino em alguns momentos, caso da bela The BlackArts.A velha escola de Burt Bacharach sempre bate ponto. É ocaso de Naught more Terrific Than Man. Pode-se argumentarque falta algum nervosismo ao Stereolab. Problema algum: relaxee peça um dry martini.Sound Dust. CD da banda Stereolab. Lançamento WarnerMusic. Preço médio do disco: R$ 20,00.

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