Sai CD de Zezé & Luciano com participação de Chico Buarque

A vida dos filhos de Francisco não tem sido a mesma desde que o cinema resolveu contar suas histórias. Se antes eram embalados em papel florido e jogados na prateleira dos cafonas por grande parte da mídia, como diz Zezé Di Camargo, agora há uma fila de jornalistas na disputa por alguns minutos com eles. Zezé e Luciano estavam apenas lançando mais um CD de carreira com cinco músicas inéditas na tarde de quarta-feira em Alphaville, São Paulo. Mas ali, nas perguntas preparadas por repórteres atentos e no zelo das demoradas sessões de foto, percebia-se que algo na família Camargo pode estar mudando.É o amor dos novos críticos? A ainda repercussão do filme "2 Filhos de Francisco"? Não se sabe. Uma outra corrente defende que seria o efeito Chico Buarque. Em uma dessas peças sem platéia que só se passam nos bastidores do poder, Chico Buarque foi apresentado a Zezé Di Camargo pelo presidente Lula. Meses depois, lá estava a dupla Zezé Di Camargo & Chico Buarque em estúdio gravando a música "Minha História" (versão de Chico Buarque para "Jesus Bambino", de Lucio Dalla e Paola Pallottino), que está no novo CD dos irmãos sertanejos. ?O Chico foi muito discreto, ele é muito tímido, mal me cumprimentou. O Lula falou para ele: ?Ô Chico, você tem que ouvir esse menino um dia desses.?Se Chico ouviu "É o Amor" ou não, não se sabe. O fato é que cantou como um canário e garantiu com Zezé os melhores instantes do CD "Diferente". A outra participação é de Ivete Sangalo, em um belo forró chamado "Amor Que Fica". De diferente, são essas duas canções. As outras trazem os corações partidos pela mulher que não vem ou que está prestes a ir embora e deixar o homem em frangalhos. Até que chegam John Lennon e Freddy Mercury e, aí sim, tudo muda.Zezé & Luciano são homens de coragem. Cutucaram o maior vespeiro que alguém pode cutucar quando escolhe músicas de ídolos do rock para gravar: Beatles e Queen, gente que conta com a eterna vigilância de fãs tão radicais quanto os integrantes do Hamas. Dos Beatles, repetiram a façanha de Kiko Zambianchi e fizeram "Hey Jude" em português. De Freddie Mercury, pegaram "How Can I Go On" e chamaram Silvinha Araújo para fazer as vezes de Montserrat Caballe. Dois pratos cheios para a fome dos ?não-ouvi-e-não-gostei?.?Já estou esperando pelas críticas que, aliás, já estão acontecendo. Escreveram por aí que estamos atirando para todos os lados?, diz Zezé. Mas esquecendo os críticos, o que diriam os fãs ortodoxos dos Beatles, por exemplo? ?Ah, esses não vão ouvir o disco de Zezé Di Camargo & Luciano.?Se a crítica vai apedrejá-los, não se sabe. Mas o certo é que, como diz Zezé, todos terão de ouvi-los. ?Não tem jeito de passar despercebido, por mais que ele (o crítico)não goste ou ache que não tem nada a ver com o veículo dele. Pode não querer ver, mas está estampado na cara dele, a venda, o sucesso. Foram 15 anos batendo na cabeça dele, 23 milhões de discos vendidos. Aí vem o filme e ele diz, ?pô, esses caras não estão contentes? Ainda vão gravar um filme desses?. Quando vem o disco novo, a curiosidade dessas pessoas aumenta.?O nome de Lula foi citado na entrevista e a pergunta é inevitável. ?Sim, declaro meu voto nele. A gente tem o privilégio de entender as coisas como elas são, não como escrevem. Não sou levado pelas matérias dos jornais ou das revistas.? E entre tapas e beijos, segue a relação de Zezé Di Camargo e a imprensa.

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