Sai biografia de Cauby Peixoto

Os fãs de Cauby Peixoto têm encontro marcado nesta terça-feira, no fim da tarde, no bar da loja de discos Modern Sound, em Copacabana, na zona sul do Rio. Será lançada a biografia do cantor, Bastidores - Cauby Peixoto: 50 anos da Voz e do Mito, com a presença do cantor e dos irmãos dele: o pianista Araken, o pistonista Moacir e a cantora Andiara. Ninguém prometeu fazer música, mas alguém duvida que o show vai rolar até altas hora?Cauby merece e o livro está à altura. É um tijolaço de 500 páginas em que o pesquisador e jornalista Rodrigo Faour conta a vida do criador dos clássicos Conceição e Bastidores e, de quebra, dá um painel do show biz brasileiro a partir dos anos 40. Foi trabalho para dois anos e meio e o apoio da Editora Record só chegou nos últimos tempos. "Não pensei em esgotar o assunto. Seria pretensão. Mas quis dar uma idéia dos ambientes em que Cauby viveu e cantou nos seus 50 anos de carreira, com sucesso, embora nem sempre na mídia", conta Faour, que não procurou patrocínios. "Não tinha certeza de que conseguiria terminar o livro, apesar do incentivo de gente como Jairo Severiano e Ricardo Cravo Albim. Por isso, não assumi compromissos."Mesmo assim, ele leva o leitor às boates cariocas e aos auditórios de rádio dos anos 40 e 50, apesar de ter nascido quando esses ambientes já eram história. Aos 29 anos, Rodrigo nem é fã antigo de Cauby Peixoto. "Comecei a gostar de música popular brasileira com Chico Buarque, Caetano Veloso e Bethânia. Só ouvi Cauby há uns quatro anos e vi que ele é o único cantor dos Anos Dourados que conseguiu sobreviver à televisão e faz sucesso até hoje", ressalta. "Há muito preconceito dos pesquisadores e críticos musicais contra esse período. Parece que a música brasileira saiu dos bambas dos anos 30 direto para a bossa nova. Todos se esquecem que os bossa-novistas cresceram ouvindo os cantores, compositores e arranjadores dos anos 50."No livro, Faour conta quem são esses pioneiros, pois não se contenta só em contar a vida de Cauby. Além da extensa discografia, que começa em 1955, com a versão brasileira de Blue Gardênia, sucesso de Nat King Cole, e ainda não teve seu ponto final, o autor relaciona os artistas que faziam o rádio e o show biz da época. Um ou outro pode ter sido esquecido mas a grande maioria está lá.Faour atribui a longevidade da carreira de Cauby a seu estilo absolutamente inusitado e à voz que se mantém intacta aos 66 anos. Nem um enfarte, há pouco mais de um ano, o afastou dos palcos e ele agrada a todas as platéias, seja uma boate de hotel cinco estrelas em São Paulo ou um clube do interior de Minas. O empenho é o mesmo: "Palco para mim é religião", disse Cauby em setembro, quando fazia temporada no Rio e em Niterói, com casa cheia. "Nunca me aconteceu de entrar em cena desanimado, sem muita vontade. Venho com a cara, a coragem e muito tesão, o que é fundamental. Isso, eu nunca perdi, nem perderei."Difícil foi convencer Cauby a ser biografado. Na mídia desde a adolescência, o cantor é cioso de sua intimidade e só depois das primeiras entrevistas, convenceu-se de que não haveria sensacionalismo. "Mas Cauby só deu os depoimentos porque nunca guardou nada do que foi publicado sobre ele. Consegui a maior parte com fãs, porque as bibliotecas e museus não têm muita coisa desse período", ressalta Faour. "Reuni todos os discos do Cauby, até o da trilha do filme americano Jamboree, musical dos anos 50 com Jerry Lewis, Connie Francis e outros em que ele canta uma música. Achei em vinil, em Nova York, caríssimo."Terminado esse livro, Rodrigo Faour já pensa no próximo. Pode ser a cantora Ângela Maria, personagem da biografia de Cauby, ou outro cantor contemporâneo deles. "Gostaria de escrever sobre Maysa Matarazzo, mas não consegui contato com o filho dela, o diretor Jayme Monjardim, que precisa autorizar", sonha o agora escritor. "Quem sabe com esse livro sobre o Cauby fique mais fácil?"

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