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Sage recuperou a região com um projeto destinado a todas as faixas etárias

O objetivo dos projetos é de despertar o interesse para a música

João Luiz Sampaio / ENVIADO ESPECIAL,

01 de agosto de 2012 | 07h00

Às margens do Rio Tyne, o prédio desenhado pelo arquiteto Norman Foster domina a paisagem. Historicamente um distrito industrial, Gateshead sempre foi visto como primo pobre da cidade de Newcastle, na outra margem do rio. Desde 2004, porém, o prédio, que abriga o Sage Gateshead, tornou-se símbolo de um processo de revitalização que inclui também a transformação de uma fábrica no Baltic Centre for Contemporary Art.

Na chegada ao Sage, no entanto, chama atenção um antigo galpão que, nos fundos do prédio, está tomado por grafites, que ocupam também os muros de pequenas vias que levam em direção aos bairros residenciais de Gateshead. "A nossa função principal, de certa forma, é entender a demanda com a qual trabalhamos", diz Rebecca Tempest, da equipe de marketing do Sage. "Queríamos que os jovens se sentissem em casa aqui, mas percebemos que eles sentiam a necessidade de ter um espaço só deles. Assim, nasceu a ideia de entregar a eles este galpão, onde eles não apenas se dedicam ao grafite, com fazem raves, oficinas de DJs e assim por diante. Chegamos a um ponto em que, quando a polícia prende um jovem pichando, o traz aqui antes de levá-lo à delegacia", conta Ed Milner, um dos responsáveis pela equipe de educação do Sage.

O episódio é significativo da maneira como o Sage tornou-se fundamental na vida da região. O centro abriga enorme diversidade de atividades. São três auditórios, um para música sinfônica, outro para música de câmara e uma sala multiuso, que pode tanto ser utilizada para ensaios como transformada em espaço para recitais. A Northern Sinfonia, grupo autogerido, é sua orquestra residente; o trabalho com crianças começa ainda durante a gravidez e as acompanha até a terceira idade (o Silver Program reúne hoje 2 mil pessoas). "Nossa preocupação não é apenas com o jovem, mas também com o idoso que, no fim da vida, muitas vezes sozinhos, cai em depressão", diz Milner, ressaltando o fato de que há atividades que misturam as gerações, como a formação de corais, propondo o que ele define como uma "troca de experiências que só se torna eficaz por acontecer de modo natural".

Além da temporada de concertos e das aulas de instrumentos, há no Sage espaço também para o jazz, a música popular, o teatro, assim como para os projetos de musicalização em escolas de toda a região. Wendy Smith, uma das diretoras do espaço, divide em dois campos as atividades do Sage: de um lado, a performance e a qualidade da execução musical; de outro, o que chama de "técnicas de comunicação", que incluem as atividades pedagógicas, os trabalhos com crianças e jovens e as relações com as comunidades próximas. "Minha função aqui é tratar das estratégias e da relação do Sage com a sociedade. E, nesse trabalho, sigo algumas orientações básicas: criar uma relação de fato concreta e especial com as crianças e famílias que atendemos em nosso trabalho, seja aqui, seja nas escolas; e acreditar, sempre, na arte como uma ferramenta que as pessoas podem usar em suas vidas. Esta região está marcada por níveis altos de desemprego e acreditamos na capacidade transformadora da música", diz Wendy. Segundo ela, 74% dos £ 16 milhões utilizados para manter o Sage vêm da iniciativa privada.

Milner destaca outra ideia que rege as atividades. "Nosso trabalho é o de uma equipe. Não há hierarquia, todos aqui fazem parte de algo maior, possuem um desejo de pertencer a algo. É esse o espírito desse prédio, é esse o espírito do que fazemos", explica. E essa ideia se combinou com a proposta da Northern Sinfonia (conjunto com o qual o violoncelista brasileiro Antonio Meneses gravou seu último disco, com o concerto de Elgar). "O grupo ganhou uma casa e, em troca, participa de boa parte das atividades do Sage", diz Hannah Reynolds, gerente da orquestra.

Para ela, a associação com o Sage levou os músicos a se considerarem parte de um contexto mais amplo, ao mesmo tempo em que redefiniu a atividade artística do grupo. "Com a direção do maestro Thomas Zehetmair, ampliamos o nosso repertório. Antes, a música barroca e clássica eram dominantes, mas, hoje, o grupo desenvolveu uma sonoridade para o repertório do século 19 e se abre com facilidade à criação contemporânea."

 
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