Kherian Krasher
Kherian Krasher

Sá & Guarabyra, que comemoram 45 anos de carreira, se apresentam em SP, e lançam álbum de estúdio

Dupla que começou em 1972 como trio, quando Zé Rodrix integrava o grupo, fala da parceria e do projeto de gravar um disco de inéditas

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

10 Março 2017 | 03h00

A dupla Sá & Guarabyra comemora neste ano 45 anos de estrada, iniciada em 1972, quando Zé Rodrix (1947-2009) fazia parte, formando o trio Sá, Zé Rodrix e Guarabyra e, juntos, gravaram o primeiro disco Passado, Presente & Futuro.

“Comecei como dupla ao lado de Zé Rodrix, que foi meu primeiro parceiro, mas nessa época morava na casa do Guarabyra, que era apenas amigo. Quando Zé e eu compúnhamos na casa de Guarabyra, ele ficava em volta da gente, e não tinha como não colocá-lo para participar, até porque era o dono da casa”, lembra Sá, soltando uma gargalhada do outro lado da linha na entrevista para o Estado, de sua casa, em Belo Horizonte.

Zé Rodrix ficou no grupo até 1973, quando lançaram o segundo trabalho, Terra – decidiu-se pela carreira solo e só voltaria a formar trio com os parceiros em 2001, em um show no Rio in Rio, que gerou o disco Outra Vez na Estrada. “Na época que Zé nos deixou, fiquei bastante chateado, inclusive cortei relações de amizade com ele, pois não aceitei sua saída repentina – não dava para entender abandonar o trem naquele momento”, conta Sá. 

O passado com o amigo Zé Rodrix (que morreu em 21 de maio de 2009, logo após concluir o álbum Amanhã) deixou lindas lembranças e fortaleceu ainda mais a dupla que, neste ano, comemora 45 anos de carreira com muitos projetos, como a gravação de um disco de estúdio, que estão finalizando. O título provisório é 45. “Procuramos fazer um resumo de nosso repertório regravando não só músicas de sucesso, mas, e até principalmente, aquelas que lamentamos não terem sido mais executadas. O bacana das músicas da gente é que elas nunca podem levar o rótulo de ‘datadas’, e assim as possibilidades de vesti-las com arranjos novos sempre me fascinam”, explica Guarabyra, por e-mail, sobre o novo álbum.

Em quatro décadas e meia de estrada, nunca se separaram, mesmo quando, em 2011, Guarabyra lançou o disco solo Lembranças do Futuro. “Não deu pra sentir o tempo passar. Minha amizade com L. C. (iniciais do nome de Sá, Luiz Carlos), como gosto de chamá-lo, sempre foi algo que aconteceu naturalmente e que vai seguindo vida afora, sem que a gente perceba o passar dos anos”, filosofa Guarabyra, comentando sobre o trabalho com Sá.

A dupla, que vai gravar um disco de inéditas até o início do próximo ano, soma mais de 100 músicas na gaveta. Em 2017, o Canal Brasil lança um DVD com show ao vivo. A dupla se apresenta no Sesc Vila Mariana de sexta, 10, a domingo, 12, com ingressos esgotados, cantando sucessos, como: Espanhola, Roque Santeiro, Sobradinho, Caçador de Mim, entre outros sucessos.

Sá gravará seu 

primeiro disco sem o companheiro

O projeto de gravar um disco sem o parceiro Guarabyra começou em 1999, mas Sá foi adiando graças aos compromissos com a dupla. Ele já havia gravado sozinho trilhas de novela, mas nunca um trabalho solo. “Iniciei este álbum há quase dez anos, em 1999. Assim que terminarmos a gravação de 45, vou para o Rio concluí-lo. Analisando as músicas que já gravei, vejo que continuam super atuais”, explica Sá.

Segundo ele, o título do álbum, Solo e Bem Acompanhado, reflete o espírito colaborativo do artista e vai trazer canções compostas em parcerias com vários colegas – entre eles, claro, Guarabyra –, além de uma inédita com Torquato Neto (1944-1972). A maioria, porém, é de sua própria autoria.

Indagado sobre a opinião de Guarabyra sobre o disco solo, Sá brinca. “Ele não viu nada ainda, mas já lançou um álbum solo, Lembranças do Futuro, e gostou”.

Sá considera o início de sua carreira em 1966, quando Pery Ribeiro (1937-2012) gravou sua música Giramundo. Também foi o ano em que primeiro faturou como músico. “Foi meu ano zero como profissional, a sensação inebriante de ter uma canção própria gravada por um artista, e de ganhar dinheiro com isso, pois, em 1966, participei de um espetáculo montado pelo Teatro Opinião chamado Samba Pede Passagem, no qual subi pela primeira vez em um palco como músico e como cantor”, recorda.

Mas, por conta do AI-5, em 1968, Sá desistiu temporariamente da carreira e trabalhou como jornalista. “Foi uma fase muito instável, pois sempre fui combativo, mas era sistematicamente censurado”, lembra ele, que chegou a ter uma coluna de música no jornal Correio da Manhã./ A.P.

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