REUTERS/Wilfried Hoesl/Bayrische Staatsoper Handout via REUTERS
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Regente russo Kirill Petrenko sucede a Simon Rattle na Filarmônica de Berlim

Substituição ocorre em 2018

EFE

22 de junho de 2015 | 14h59

O regente russo Kirill Petrenko, escolhido pelos músicos para suceder a Simon Rattle na Filarmônica de Berlin, estará à frente da orquestra a partir de 2018. “Estamos muito satisfeitos com a decisão tomada pela orquestra e podemos anunciá-la a vocês. Que linda segunda-feira, esta!” disse o diretor geral da Filarmônica, Martin Hoffmann. Ao fazer o anúncio da decisão, a cúpula da orquestra leu uma mensagem de Petrenko agradecendo sua eleição. “Farei tudo o que estiver ao meu alcance para ser um regente digno desta orquestra”, ele disse. A escolha de Petrenko se concretizou numa reunião, no domingo, depois que a votação realizada no dia 1º de maio entre os 124 músicos não chegou a um acordo sobre o sucessor de Rattle. O fracasso da primeira tentativa levou alguns veículos de comunicação a sugerir que a designação de Petrenko foi uma solução de compromisso porque a orquestra não conseguira decidir entre outros dois candidatos. 

“A eleição de Kirill Petrenko foi uma escolha do coração”, afirmou Hoffmann ao ser indagado a respeito. Ele também repudiou as insinuações segundo as quais na orquestra teriam surgido discussões porque alguns membros rechaçavam a possibilidade de eleger um regente alemão temendo perder projeção internacional, o que, por fim, contribuiu para a escolha do regente russo.

O nome de Petrenko foi mencionado desde o começo entre os candidatos à sucessão de Rattle, juntamente com o do venezuelano Gustavo Dudamel e o do alemão Christian Thielemann, atualmente à frente da Staattskapelle de Dresden, ou o diretor musical da Staatsoper de Berlim, o argentino-israelense Daniel Barenboim. Petrenko, 46 anos, é um dos regentes mais respeitados do momento na Alemanha, não apenas por seu trabalho na ópera de Munique, mas também por sua direção do Anel dos Nibelungos, nas duas últimas temporadas de um evento elitista como o Festival elitista Wagner, de Bayreuth. O público do festival bávaro, que recebeu com vaias estrondosas a encenação do controvertido Anel de Frank Castorf, comemorou freneticamente a atuação do regente russo. Além disso, em três ocasiões Petrenko foi regente convidado da Filarmônica de Berlim e, segundo o representante dos músicos no conselho da orquestra, Peter Riegelbauer, conquistou o coração dos músicos. 

Entre 2002 e 2007, Petrenko foi diretor musical da Ópera Cômica de Berlim. Atualmente, ele está à frente da Ópera da Baviera com a qual tem um contrato até 2018. “Quando temos um regente convidado, costumamos analisar posteriormente a experiência e discutimos se devemos convidá-lo outra vez. No caso de Kirill Petrenkp, não discutimos se deveríamos voltar a convidá-lo, mas quando voltaríamos a fazê-lo”, explicou Riegelbauer. “Trata-se de um diretor para o qual o que está no centro do seu trabalho são as partituras e as obras musicais, e não a projeção a própria personalidade”, acrescentou. Petrenko é considerado um músico avesso à projeção da mídia, e raramente concede entrevistas.

A Filarmônica de Berlim é a única orquestra de elite do mundo cujo diretor é eleito pelos músicos em um procedimento que frequentemente é comparado ao conclave vaticano para a eleição do papa em razão do sigilo que o cerca. A cúpula da orquestra negou-se a dar detalhes sobre as discussões referentes à escolha de Petrenko numa sessão que durou cerca de quatro horas. Simon Rattle, que está à frente da orquestra desde 2002, anunciou em 2014 a intenção de não renovar seu contrato. Em 2017, ele assumirá a direção da Orquestra Sinfônica de Londres e durante um ano, até o final do contrato com a Filarmônica de Berlim, prevê trabalhar ao mesmo tempo em ambas as capitais. Seu antecessor, o italiano Claudio Abbado, dirigiu a Filarmônica entre 1989 e 2002, como sucessor do lendário diretor austríaco Herbert von Karajan.

Tradução de Anna Capovilla

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