Rush põe fim à longa espera dos fãs brasileiros

Nesta sexta-feira, às 17 horas, quandoabrirem os portões do Morumbi, cessa a agonia de uma longaespera. Foram dez anos de negociações para que o grupo canadenseRush desembarcasse no Brasil. E vai ser um encontro demoradoentre a banda e seus fãs: o show começa às 21h30 e só temprevisão para acabar lá pela meia-noite e meia. No sábado, a banda se apresenta no Rio.Tocando músicas de John Mayall, Cream, Led Zeppelin eHendrix. Foi assim que eles começaram sua epopéia musical, em1969, em um subúrbio de Toronto, no Canadá. Tinham os seus 16anos - hoje, beiram os 50.Em 1973, gravaram o primeiro disco com as suadaseconomias de US$ 9 mil no Toronto´s Sound Studio e, incapazes desuscitar o interesse das companhias de discos para suas cançõesintermináveis, criaram seu próprio selo, Moon, para fazer odisco de estréia, Rush.Uma cópia daquele disco foi enviada para Donna Halper,então DJ de uma rádio de Cleveland, Ohio, que tratou de chamar aatenção da gravadora Mercury Records para o grupo canadense - opasso seguinte foi a assinatura de um contrato para fazer doisdiscos pela gravadora, por US$ 200 mil.O início da banda Rush não dá a medida do que setornaria nos anos seguintes. Mesmo fazendo um rockgrandiloqüente, virtuoso, progressivo, fundado em fantasias deficção científica, eles venderam milhões de discos - mais de 4milhões de Moving Pictures (1981), mais de 3 milhões de2112 (disco de 1976) e outras duas milhões da coletâneaChronicles (1990).As letras também nunca foram das mais populares,deglutíveis. Em The Trees, por exemplo (faixa do discoHemispheres, de 1978), tratavam do tema da separação da regiãode Quebec do resto do Canadá. Em 2112, basearam-se em umromance futurista de Ayn Rand. Gostam de Borges e também dorealismo fantástico latino-americano, são vorazes leitores emúsicos preciosistas.Já tocaram em todos os templos do rock no mundo, doHammersmith Odeon de Londres ao Madison Square Garden de NovaYork; do Estádio de Wembley à Sheffield Arena. Esta semana,batizam dois dos maiores estádios brasileiros, o Morumbi(amanhã) e o Maracanã (sábado).O Rush é uma verdadeira academia do rock. Tanto que seusdetratores costumam dizer que só músico é que gosta do seu som.Geddy Lee não se faz de rogado. Diz que acha mesmo que é um sompara agradar a ouvidos exigentes, mas que também é democrático,alcança todo tipo de admirador."Devemos tocar todos os nossos hits para os fãs, éimportante para eles e não queremos desapontá-los", afirmouessa semana, já em São Paulo. "Tentamos conciliar os pedidoscom nossos desejos pessoais", disse, acrescentando que temalgumas canções preferidas entre o imenso repertório da banda.Mas pode levar seu isqueiro que eles vão tocar Tom Sawyer.A censura para o concerto é livre, mas menores de 14anos só entrarão acompanhados por responsável maior de 21 anos.E não há preocupação quanto a lugares, porque ainda haviaingressos, hoje, para quase todos os setores do Morumbi -esgotaram-se apenas os lugares Vip Premium (de R$ 350,00) e ascadeiras superiores azul e vermelha.Cerca de 48 mil ingressos tinham sido vendidos atéquarta-feira, mas espera-se um público superior a 60 milpessoas. Nos 6 bares e 90 ambulantes, estarão à venda sanduíches, hot-dogs, batatas chips, água, refrigerantes, cerveja,energéticos, pipocas, sorvetes e churros. Não será permitida avenda de destilados.Haverá 70 banheiros químicos no campo, mais os banheirosdo estádio, além de 5 postos médicos, 5 ambulâncias (2 UTIsMóveis), 6 médicos e 12 enfermeiros. A segurança será feita por600 homens contratados e 300 PMs.

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