Rubi lança CD de forma artesanal e em tom afetivo

Por incrível coincidência, o cantor Rubi lança o segundo CD Infinito Portátil (Sete Sóis) quase simultaneamente ao Infinito Particular, de Marisa Monte. Há semelhanças além do nome. A faixa-título do CD da cantora contém a palavra portátil e foi produzido por Alê Siqueira, que trabalhou com Rubi em seu primeiro CD, de 1998. Além do mais, ambos formam par pelo tom sereno das canções e dos arranjos. "O universo dela é muito parecido com o meu", reconhece Rubi, que gravou o seu bem antes dela, no fim de 2004, e faz show único de lançamento hoje no Teatro Crowne Plaza. A diferença está no processo de produção, em que o cantor optou por ser "o mais orgânico possível". Utilizando um mínimo de instrumentação, os arranjos procuram valorizar seu timbre peculiar, de uma delicadeza feminina. Rubi escolheu as canções de maneira adequada à sutileza de sua interpretação - ou vice-versa. Pautadas pela beleza e a densidade, melodias e letras se sucedem em ritmo e velocidade de tapete voador, flutuantes, quase imutáveis. É tudo artesanal, mas bem lapidado, desde o violão que ele próprio toca sem ser instrumentista, até a embalagem, uma caixinha de madeira com as inscrições pirografadas. Rubi produziu sozinho o CD, mas, como Marisa, também reuniu sua turma. O guitarrista Estevan Sinovitz é figura fundamental. "A presença dele foi muito preciosa, porque ele poderia se recusar a tocar instrumentos que não conhece bem, mas mesmo sem virtuosismo técnico mostrou do que é capaz e aceitou fazer pelo desafio", conta o cantor. Kléber Albuquerque, Gero Camilo, Ceumar, Tata Fernandes, Luiz Gayotto, além de assinar as canções, também contribuíram com pequenas participações e dicas de profissionais mais experientes que o cantor. Vindo do teatro, Rubi encontrou nesses parceiros uma linguagem em que se reconheceu quando decidiu mergulhar na música. "Não consigo me ver muito como cantor, me vejo mais como artista. Nunca fiz aula de canto para apurar técnica. A música veio como forma de expressão, como era o teatro durante meu processo de criação", diz. Um desses parceiros, Gero Camilo, também vem do teatro, e assina uma das bonitas canções do CD, Astrolábio, que Rubi apresentou em 2005 no 8.º Prêmio Visa de Música Brasileira, com grande repercussão. O júri o classificou em terceiro lugar, mas ele foi o escolhido do público, que o prestigiou com grande torcida e vaiou o resultado. Suas concorrentes na final, Ana Luíza e a vencedora Izabel Padovani, têm mais técnica, ele reconhece, mas justamente por conduzir suas atuações para o campo do espetáculo é que cativou a audiência. Virou a sensação. Se no CD ele evitou grandes arroubos, no palco e no próximo álbum, que vai gravar ao vivo, pretende ser menos contido. Isto é só o começo. Rubi. Teatro Crowne Plaza. R. Frei Caneca, 1.360, 3289-0985. Hoje, 21 horas. R$ 20.

Agencia Estado,

29 de março de 2006 | 11h13

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