Rubens Nogueira canta samba e dores de amor em novo CD

Compositor lança o disco 'Eu Canto o Meu Samba', que conta com parcerias com Paulo César Pinheiro

Lauro Lisboa Garcia, de O Estado de S. Paulo,

17 de março de 2008 | 17h05

Ter versos de Paulo César Pinheiro já é meio caminho andado para uma canção ser bem realizada. O compositor Rubens Nogueira foi privilegiado com muitos, e reuniu 13 parcerias com Pinheiro, das quase 40 que já somam desde 2004, no CD Quando Eu Canto o Meu Samba (produção independente), que tem show de lançamento na terça-feira, 18, no Teatro Santa Cruz. O letrista e poeta carioca cancelou a participação que faria no show porque contraiu dengue.  Veja também:Ouça trecho de 'O Samba é o Som', de Rubens Nogueira  Antes deste trabalho, o violonista tinha lançado dois álbuns de música instrumental e teve 11 parcerias com Consuelo de Paula registradas no belo terceiro CD da cantora, Dança das Rosas, em 2004. Nogueira diz que como compositor está aberto a outras possibilidades. "Alguns outros parceiros meus, um tanto desconhecidos, como Fran Papaterra e Jorge Rosas, escrevem em outra linha e o resultado é muito bom." No caso do novo CD, que contou também com uma mão do parceiro na escolha do repertório, "prevaleceu esta linha de samba". Juliana Amaral e Verônica Ferriani, jovens cantoras em ascensão, dão brilho especial ao disco - com a mesma categoria de Márcia no encontro com Pinheiro e Eduardo Gudin nos anos 70, que já impressionavam Nogueira na adolescência. Juliana e Verônica interpretam duas faixas cada, além de dar apoio vocal em outras. Pinheiro também faz duo vocal com Nogueira em Água de Chuva.  Desfiando diversos lamentos, as palavras que mais ganham relevo em seus versos são mágoa, dor, tristeza, pranto e outras relacionadas ao choro redentor - seja falando de samba ou de amor, os dois temas predominantes nas canções. Em Choro Curto, ele tanto se refere ao gênero musical como ao ato de verter lágrimas. Em Brasil Brasileiro, tanto a melodia como a letra são construídas sobre Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Três letras têm o próprio samba como personagem e conversor da tristeza em alegria, seja em situações corriqueiras ou invocando seu valor histórico. "Quando eu canto o meu samba eu ganho o dia/ Pois quem sofre alivia a sua dor", enuncia Quando Eu Canto Meu Samba. "Embora embalado com banzo e pesar/ O samba nasceu pra não ver ninguém chorar", diz a letra de O Samba É o Som. Nogueira compartilha a visão que Pinheiro tem do samba. "O samba pra mim sempre representou um lado importante da identidade cultural de nosso povo, sofrido em sua sobrevivência, mas alegre quando tem, por exemplo, o samba, e a música de modo geral, ao seu lado", observa. "Gostei muito da simplicidade e singeleza de seus sambas", comenta Pinheiro no encarte do CD. Isso também se denota nos arranjos e se caracteriza como sinônimo de elegância. O violão "praticamente bossa-novista" de Nogueira, a percussão "ultra-sensível" de Sérgio Reze e o "requintado" baixo acústico de Marinho Andreotti fundamentam a sonoridade. Cada faixa tem um ou mais detalhes sutis diferenciais: o cello de Mario Manga, o cavaquinho de Camilo Carrara, o fluguel horn de Rubinho Antunes, a flauta de Mané Silveira, o bandolim de Ronem Altman, o clarinete de Alexandre Ribeiro. "Acredito que minhas canções são populares, embora refinadas. É difícil falar sobre isso sem uma distância considerável, mas do meu ponto de vista acredito na força de uma boa melodia, que pra mim é a alma da canção." Como se nota no CD, as letras de Pinheiro também foram privilegiadas pela música de Nogueira.   Rubens Nogueira. Teatro Santa Cruz (500 lugs.). Rua Orobó, 277, Alto de Pinheiros, telefone 3024-5191. Hoje, às 21 horas. Ingressos R$ 15 e R$ 7,50

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