Royal Philarmonic Concert traz programa eclético

A inglesa Royal Philarmonic Concert Orchestra, ao lado de um time de solistas que inclui nomes comoCésar Camargo Mariano, Paquito D´Rivera e Romero Lubambo, apresenta-se segunda e terça-feira na Sala São Paulo, em concertos que buscam a união entre as músicas sinfônica e popular. A regência será do maestro italiano Ettore Stratta, que tem em seu currículo o estudo e a interpretação de músicapopular e, recentemente, lançou o CD As Time Goes By (Warner Classics), com temas de filmes do século 20.O repertório das apresentações é bastante eclético, indo de Gilberto Gil a Carlos Gardel, passando por nomes como Ari Barroso, Milton Nascimento, Astor Piazzolla e Tom Jobim. A orquestra abre o concerto com Samba de Uma Nota Só e Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, com solos de Paquito D´Rivera. Toca, então, Preciso Aprender a SóSer, de Gilberto Gil, e Wave, de Tom Jobim, com César Camargo Mariano ao piano. Mariano volta ao palco para participar do Nascimento Medley, reunião de algumas das mais famosas melodias de Milton Nascimento, e para Fotografia (Tom Jobim) quando estará acompanhado também do violonista Romero Lubambo.Completam a primeira parte do programa Curumim, de Camargo Mariano, Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, e Manhã de Carnaval, de Luiz Bonfá.A segunda parte é dedicada ao tango e a orquestra abre com um clássico: La Cumparsita, de Rodriguez. Em seguida, outro sucesso do gênero: El Dia que Me Quieras, mais Oblívion, de Piazzolla, Inspiración, de Rubinstein e El Choclo, de Villoldo. O célebre Adiós Nonino encerra o concerto. O maestro Stratta adianta que, para o bis, estão programados Smile, de Charles Chaplin, Yesterday, de John Lennon e Paul McCartney, e Con Te Partiro, de Sartori, popularizado na voz de Sarah Brightman e Andrea Bocelli.A escolha do repertório dos concertos foi guiada, segundo o maestro Stratta, pela qualidade das composições. No entanto, ele aponta, também, razões sentimentais em especial no que diz respeito à música popular brasileira. "Estudei alguns anos no Brasil com maestros como Eleazar deCarvalho, que foi um regente incrível, e sou grande admirador da música do País, tanto a popular como a erudita", confessa. E faz questão de ressaltar que a música do País é de altíssimo nível, estando sempre em conssonância com o que se passa no resto do mundo. "Desde as influências de ritmos africanos até a presença da harmonia francesa em peças de compositores como Villa-Lobos, o Brasil produziu um material bastante rico e sempre me mantenho atualizado com o que está sendo produzido por aí."Sobre o tango, Stratta lembra que passou a conhecer melhor o gênero durante a temporada que passou no Brasil. "Também é uma música de grande qualidade, com peças bastante inspiradas que, tocadas por orquestras, transformam-se praticamente em clássicos."A discussão a respeito dos limites entre as músicas sinfônica e popular é antiga e seu resultado, para muitos, pode ser uma espécie de fórmula mágica capaz de popularizar a música orquestral e o trabalho dos grupos sinfônicos. Para Stratta, este tipo de repertório, de fato, pode acabar criando novo público para as orquestras. "Hoje, não há mais um grande número de orquestras fazendo gravações do repertório clássico, mesmo porque regentes como Arthur Fiedler, por exemplo, que tinham um trabalho intenso de gravações, estão mortos", ressalta.No entanto, ele faz questão de lembrar que uma de suas principais preocupações é com a qualidade dos arranjos. "É preciso ter sempre como prioridade a qualidade dos arranjos e saber como a orquestra pode reproduzir da melhor maneira as harmonias e as melodias populares."Royal Philharmonic Concert Orchester - Segunda e terça, às 21 horas. De R$ 65,00 a R$ 170,00. Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, s/n.º, em São Paulo, tel: 0-XX-11-3351-8000

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.