Royal Opera House dedica livro a Plácido Domingo

A equipe artística da Royal Opera House apresentou hoje ao espanhol Plácido Domingo um livro em sua homenagem. O tenor e a instituição já se relacionam há 35 anos.Ao aceitar um exemplar do livro, ilustrado com fotografias de suas atuações, Domingo lembrou algumas anedotas de sua vinculação com a ópera de Londres desde sua estréia em Tosca, de Puccini, junto com Gwyneth Jones, em janeiro de 1971.Ele explicou como tinham lhe advertido antes de sua primeira atuação que não devia se desanimar se não fosse aplaudido no final da Recôndita Harmonia, porque não era costume em Londres, e o quanto se alegrou com os inesperados aplausos com os quais o público recebeu sua interpretação da famosa ária.Na Royal Opera House, Domingo fez vinte e dois papéis, e em maio fará mais um, em Cyrano de Bergerac. Ele atuou em trinta e uma das últimas trinta e quatro temporadas.Entre os artistas com os quais colaborou estão diretores de orquestra do prestígio de Carlos Kleiber, George Solti e sir Colin Davis, cantores como Montserrat Caballé, Kiri Te Kanawa e Thomas Allen e diretores como John Schlesinger e Franco Zeffirelli.O diretor-executivo da Royal Opera House quando Domingo foi contratado em 1971, sir John Tooley, destacou, em declarações a EFE, a qualidade musical, o perfeito fraseado e o conteúdo dramático que o tenor sempre imprimiu a todos os seus papéis."Domingo é, além disso, uma pessoa imensamente generosa, sempre disposta a ajudar seus colegas. Ele soma seu extraordinário talento interpretativo e sua surpreendente energia uma grande cordialidade", acrescentou.Tooley elogiou também o profissionalismo do tenor e lembrou certa ocasião, quando devia cantar a Tosca e, por não se sentir bem, pediu que buscassem alguém no último momento para substituí-lo, algo que foi impossível.Pouco antes da apresentação, chamou-o pessoalmente para perguntar se o problema tinha sido resolvido, e quando lhe disseram que seria preciso cancelar, ofereceu-se para subir ao palco, "e teve uma de suas grandes atuações", lembrou Tooley.O atual diretor musical da Royal Opera House, Antonio Pappano, expressou a EFE sua admiração pelo fato de que um cantor "tão maravilhosamente e naturalmente dotado" como Domingo "trate de se aperfeiçoar continuamente e ampliar seus horizontes musicais"."Ele se sente igualmente à vontade no repertório italiano como no alemão, o francês e o russo, e é admirável que, a esta altura de sua carreira, tenha decidido fazer um novo papel, tão difícil", como o protagonista de Cyrano de Bergerac. "Não só é sua voz, mas o que está por trás - sua inteligência, sua capacidade de expressão e sua experiência", acrescentou Pappano.

Agencia Estado,

28 de abril de 2006 | 18h43

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